<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841</id><updated>2011-12-16T12:30:05.432-03:00</updated><title type='text'>Cosas que escribo</title><subtitle type='html'>Este blog nació a partir de un taller literario que inició la profesora Mariana Podetti en el profesorado de portugués de la Funceb. Luego, siguió adelante, con otros textos, en español y en portugués, que publico para mis amigos y para quien quiera leerlos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-4979546644005480241</id><published>2009-01-31T16:17:00.002-02:00</published><updated>2009-01-31T23:07:27.033-02:00</updated><title type='text'>O nome dele</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Esta vez, el ejercicio propuesto por la profesora Fernanda era escribir un texto con muchas redundancias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Quando conheci o Yanko, eu não sabia o nome dele. É isso que acontece quando eu conheço alguém: eu não sei o nome até que a pessoa me diz. O Yanko falou para mim que ele se chamava como eu já disse, mas aquela revelação do nome dele aconteceu depois, quando eu já o conhecia, porque antes disso ele não tinha como me encontrar e adivinhar que eu queria saber o nome dele — e de fato eu ainda não sabia que queria. Se ele tivesse falado para mim o seu nome quando eu não sabia quem ele era, eu teria achado esquisito. Acho que ele também. Então, a gente esperou.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Esperamos mesmo, porque não foi logo depois de a gente se conhecer que ele se apresentou de nome e sobrenome, e inclusive de nacionalidade, idade, profissão e número de telefone. Não. Naquele dia, aliás, naquela noite, não houve troca de formalidades. A física e a química agiram com mais pressa que a civilidade e passamos do desejo à realização, com algumas agradáveis repetições. Ainda anônimos. Depois disso, ficamos com sono e vontade de dormir, e como já estávamos na cama, deitados e despidos, decidimos decretar o fim daquele dia, que aliás já havia acabado quando o sol foi embora e disse: até amanhã. Nós não ouvimos o sol falar; estávamos muito ocupados. Dormimos juntos sem nos apresentarmos, a carteira de identidade guardada. Na verdade, a minha, porque ele tinha apenas passaporte, mas eu ainda não sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando acabamos de dormir, acordamos. E o que a gente sempre faz: dorme, acorda, dorme, acorda. Os ciclos do ser humano, seja branco ou preto, como nós éramos diferentemente, são sempre iguais, rotineiros, previsíveis e repetidamente os mesmos. A gente acorda com o dia, que vem depois da noite e antes dela, dia após dia, noite após noite, sempre do mesmo jeito. E o homem, obediente, escravo do relógio da terra e do sol, acompanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando acordamos, ele ainda não tinha falado para mim como se chamava, nem antes de dormir nem dentro dos meus sonhos, que talvez tenham sido também os dele. Eu continuava a não saber que ele era Yanko porque ele ainda não tinha se apresentado dessa maneira, mas só de outras que não precisavam de substantivos próprios — antes, melhor, de verbos, advérbios, adjetivos. Apesar do sol que já tinha saído, da lua que já tinha ido embora, da vontade de dormir que já tinha sido atendida com sucesso e de olhos fechados durante a noite, ele ainda não se apresentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu também não perguntei. Tinha fome. Ele também. A gente tomou café da manhã, para desfazer o jejum e conformar o estômago, que reclamava. Enquanto comíamos e bebíamos, ele não disse o nome, ainda não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, quando eu já ia embora, ele finalmente pegou um papelzinho. Antes de escrever, procurou um lápis, pois precisava dele para redigir um texto breve, mas necessário: "Yanko", ele escreveu, e acrescentou um número de telefone, para que eu pudesse ligar. Aí eu perguntei a nacionalidade, cubano, eu já suspeitava pelo sotaque; a idade, ele não gosta de publicar e eu respeito; a profissão: modelo, dava para perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu liguei para ele sim, muitas vezes, durante anos, sempre depois daquele dia, porque antes eu não sabia o nome dele e também não tinha o número. E mesmo se eu soubesse e tivesse, eu não teria ligado, porque a gente ainda no se conhecia e eu não teria achado motivos para falar com ele, que eu não sabia quem era — ou quem viria ser nos anos seguintes, naquelas vidas que ainda não eram nossas, mas uma minha, a outra dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-4979546644005480241?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/4979546644005480241/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=4979546644005480241' title='1 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/4979546644005480241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/4979546644005480241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2007/12/morrer-de-cimes.html' title='O nome dele'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-2159719075498516172</id><published>2007-07-21T15:57:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:57:13.435-03:00</updated><title type='text'>Cinco para a meia-noite</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Nota: Acá va otro texto en portugués. La consigna de la profesora Rosanne era hacer un relato sobre el último día de 1999, repasando distintos acontecimientos históricos del siglo XX.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;São cinco para a meia-noite. São cinco para o fim do século, do milênio. São cinco para o fim do mundo, para o "efeito Y2K", para a debacle dos computadores, para que a Internet fique doida, a luz da cidade se apague, os aviões caiam no mar, as contas de poupança dos bancos comecem a se misturar e o dinheiro já não saiba mais a quem pertence. São cinco para a meia-noite do último dia do ano de 1999, e daqui a pouco a gente vai se encontrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei se o mundo vai acabar logo. Eu não sei o que vai acontecer com o meu computador. Seja como for, eu estou no "Cinema", que não é cinema exatamente e sim o nome deste bar, onde os corações solitários e aqueles que, por causa disto ou daquilo, não querem ficar em casa, começaram a se reunir nas mesas, encheram seus copos à espera de que o mundo acabe ou não, para brindar pelo fim ou pelo princípio de algo que a gente nem sabe o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os garçons correm de mesa em mesa, levando e trazendo copos cheios ou vazios, todos olhando de vez em quando os seus relógios, talvez pensando na família que os espera para brindar com eles quando tudo acabar, se tudo não acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cinco para a meia-noite e os fogos de artifício já se ouvem, o ruído da festa daqueles que já começaram a festejar nos arredores deste lugar chega até aqui e nos contagia um pouco.&lt;br /&gt;Olho para a senhora do vestido azul; coração solitário sim, com certeza. Ela me devolve o olhar, eu desvio o foco. Ela pensa que eu também sou, na expressão do seu rosto tem cumplicidade, solidariedade, talvez até tenha um convite. Mas eu não estou sozinho, só espero. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A gente vai se encontrar daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que marcou zero nos relógios e na tela do televisor do "Cinema", o murmúrio transformou-se em coro de vozes, corpos se encontrando, beijos, abraços, desejos pedidos em silêncio para si ou para alguém que estivesse ouvindo, sei lá. O garçom olha para mim e me mostra o seu copo alçado; eu respondo alçando o meu. Os fogos de artifício são agora milhares. O mundo não acaba. A luz continua a brilhar e na tela do televisor não vemos desgraças nem acidentes nem computadores malucos tomando conta do mundo, e sim multidões festejando naqueles países nos quais as pessoas sabem o que é festejar melhor do que nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente vai se encontrar, daqui a pouco. E não vamos falar do século que morreu, da Segunda Guerra, da Guerra-Fria, do assassinato do John Lennon, da chegada do homem à lua, da Revolução Cubana, da queda do Muro, de Marilyn Monroe, dos cem anos de solidão, da Aids, do Che Guevara não parando de nascer, do Allende resistindo até o final, dos militares argentinos jogando pessoas vivas no mar, da democracia, da desilusão, dos filmes de Almodóvar, do fim do apartheid, da Evita, dos fascistas escrevendo "Viva o câncer" em horríveis pichações, das telecomunicações, da Internet, do mundo globalizando tudo menos o direito a almoçar e jantar todos os dias, das Mães dando voltas ao redor da pirâmide de Maio, da Copa do Mundo, do gol do Maradona contra os ingleses, do general alcoólatra mandando rapazes inexperientes morrer de frio ou de balas nas Malvinas, dos milhões de judeus morrendo em Auschwitz e outras moradias do terror, do Picasso desenhando o Guernica, do Chico Mendez recebendo um tiro na Amazônia, do napalm caindo no Vietnã, do relógio marcando a zero-hora do primeiro dia do século vinte e um. Não. A gente não vai falar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a gente fale no futuro, talvez não. Tanto faz. O que realmente nos importa é nos encontrarmos e passarmos juntos a madrugada deste dia, primeiro de janeiro de dois mil, e festejarmos juntos também, à nossa maneira, que não é direito de ninguém maldizer ou condenar. A gente não podia se encontrar antes. Não dava não. Tem coisas que vão mudar, mas ainda falta. Será neste século, eu acredito. Alguém estará, no próximo fim do mundo, festejando acompanhado sem necessidade de se esconder de ninguém, e não se lembrando, ou se lembrando mas não entendendo o que as pessoas pensavam neste século que está acabando aqui e agora. Todos os "apartheid" vão acabar. Todos os "Auschwitz" vão virar museus, e até o Papa terá que pedir desculpas, como já aconteceu com o Galileo Galilei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a gente vai se encontrar, aqui, agora, e não tem nada que impeça à gente festejar. Vamos tomar uma cerveja naquela praça, vamos olhar o céu se iluminando de fogos, vamos brindar com copos de plástico ou com duas garrafas. E eu vou olhar para aquele prédio, vou apontar para o varandão mais cheio de plantas, e vou lhe dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Eu queria esse apartamento. Não peço mais. Só pra a gente morar junto algum dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vamos nos dar um abraço e vamos ficar bêbados de cerveja e de vontade de sermos felizes, porque este ano que começa também é nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-2159719075498516172?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/2159719075498516172/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=2159719075498516172' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/2159719075498516172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/2159719075498516172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2007/07/cinco-para-meia-noite.html' title='Cinco para a meia-noite'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-6313524127092726230</id><published>2007-07-19T23:20:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:57:19.142-03:00</updated><title type='text'>O terreno</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Nota: Acá va otro texto en portugués. La consigna de la profesora Rosanne era contar la historia de un terreno ocupado desde tres puntos de vista: el de los ocupantes, el del propietario legal y el de la policía.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quando a gente chegou, não tinha ninguém aqui. Um quarteirão inteiro de terreno solitário vivendo uma vida chata, todo dia igual ao anterior. A grama tinha crescido tanto que parecia a selva, e só havia lixo e ratos (doentes e malucos). O único gato, macérrimo e faminto, já nem os perseguia, porque tinha perdido até a vontade de se alimentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro das primeiras imagens do terreno, como se a gente tivesse tirado fotos: naquele canto, vários tijolos sujos e quebrados que alguém trouxe e ninguém usou; na outra esquina, sacolas cheias de papéis, latas vazias e restos de comida podre que até os ratos ignoravam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros dias foram difíceis. A gente cortou a grama, limpou o lixo e construiu o barraco com ferramentas próprias, nem sempre as mais adequadas, e alguns materiais "de construção" que trouxéramos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A princípio, a vizinhança suspeitou da gente. Sempre suspeitam. Eles nos olham e só vêem favelados, delinqüentes, perigosos. Até nossas crianças eram perigosas aos seus olhos: não demorariam em se tornar bandidos. Entretanto, à medida que o tempo passou, as coisas foram mudando. Alguns vizinhos até aprenderam nossos nomes: Frederico, esse sou eu; Regiane, minha senhora; Thiago e Mariana, nossos filhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, tiveram que nos aceitar no bairro e alguns chegaram a fazer amizade com a gente, como a senhora da casa antiga, a dona da padaria, que Regiane ajudou naquela tarde quando teve nené.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Agora, o senhor diz que tudo é seu: o barraco, o jardim com a pequena roça, o terreno. Talvez até o cachorro seja propriedade sua, sei lá. A gente não sabe de leis. A gente não conhece ninguém na Prefeitura ou no juizado. Talvez o senhor tenha razão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Mas, agora, o que é que a gente faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei. Nesta história, hei de ser o vilão, mas não fui eu que escolhi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Falemos do terreno. Foi meu pai que comprou há muitos anos, depois de muito trabalhar. Ele não roubou de ninguém, ganhou com muito esforço. Pensava construir uma casa, mas não pôde. Lá veio a inflação, a crise, os materiais de construção chegaram com seus preços até as nuvens, e o salário do coitado do meu pai emagreceu a ponto de quase desaparecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;O terreno ficou abandonado, mas não foi meu pai que o abandonou, foi a vida que abandonou meu pai com seus sonhos sem se realizarem. Mas eu não vim dar pena a ninguém. Meu pai fez tudo o que ele pôde e partiu "para vida melhor", ou para a morte mesmo, tanto faz. Eu herdei o terreno e só quero é vendê-lo, para pagar a universidade da Mayra, minha filha. Ela quer estudar cinema. Vocês sabem que é muito caro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;O senhor tem razão. Sua família tem direito a uma casa e terreno para morar e produzir. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Contudo, cadê o Estado? Cadê a Prefeitura, o governo estadual, o governo federal? Será que sou eu que tenho que pagar a ausência deles com o esforço do meu pai e o futuro da minha filha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A gente também é pobre. Não tanto quanto o senhor, é verdade. Mas também não somos ricos não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o vilão nesta história, mas não fui eu que escolhi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor me disculpa, mas eu só vim cumprir o meu trabalho. Foi o senhor que ligou para a delegacia. Os papéis são claros e a lei não deixa dúvida nenhuma. A propriedade é sua. Esse pessoal aqui não tem jeito de ficar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Se o senhor me der licença, eu sou obrigado a cumprir e fazer cumprir a lei. Depois os senhores conversam, que eu não sei de política. E esse negócio dos sem-terra eu não acredito não. Se a gente não mantiver a ordem, não terá progresso nenhum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Agora, o senhor me desculpa e deixa eu trabalhar. Esse pessoal vai embora logo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Está entendendo?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-6313524127092726230?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/6313524127092726230/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=6313524127092726230' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/6313524127092726230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/6313524127092726230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2007/07/o-terreno.html' title='O terreno'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-2193209552465381526</id><published>2007-04-02T19:01:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:57:25.516-03:00</updated><title type='text'>Positivo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;El colectivo está cruzando el puente de La Boca, entrando a la ciudad de Buenos Aires por encima del río en el que, tiempo atrás, la gente podía bañarse, y que hoy sólo tiene polución y mugre. No estoy apurado. Hace pocos días que llegué de Río de Janeiro, donde vi aguas más claras y más lindas rodeadas de morro y arena. Estoy yendo a hacer un trámite a la ciudad donde Dios atiende a los que vivimos del otro lado del río.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Respondo al llamado de mi celular y saludo a mi amigo, con quien tengo muchas cosas para charlar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—¿Cómo andás? —le pregunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Hola... bien... Che, necesito hablar con vos —me dice y, antes de que llegue a contestarle algo, agrega:— Me dio positivo el análisis de HIV.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Déjà vu. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Todo lo que estaba guardado empieza a emerger a la superficie. Es como si el colectivo hubiera frenado de repente, todos se hubieran tirado al río y yo estuviera ahí solo, detenido, el agua sucia subiendo cada vez más rápido hasta alcanzarme, tapándome, llenándome de todo lo putrefacto que allá abajo se mueve sin dejar lugar a nada que esté vivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;No sé qué decir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—La puta madre —creo que digo, pero no sé, porque no estoy pensando claro— . ¿Dónde estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Quedamos en vernos en el Mc Donalds de Corrientes y 9 de Julio, en media hora. Me bajo del colectivo antes de llegar al final del recorrido y hago el resto del viaje caminando despacio, para pensar qué le voy a decir a mi amigo cuando llegue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;---&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Lo primero que me viene a la cabeza es la sala de espera del Hospital Alemán. Un señor muy mayor entra y habla con la enfermera, quiere que lo vea el doctor. Saca un montón de papelitos, entre los cuales cree tener un comprobante con el turno. La enfermera le explica que tiene que ir a otro sector y pagar el bono de consulta; el señor no entiende. Se va y al rato vuelve, porque se equivocó otra vez de lugar. La enfermera lo acompaña.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Una mujer, en el asiento de atrás, está leyendo una revista. Yo esfuerzo el oído para escuchar lo que está pasando detrás de la puerta número cuatro. Escucho pedazos de palabras, diálogos entrecortados, como cuando un celular pierde la señal. Por momentos, me parece que estoy escuchando que todo salió bien y, por momentos, creo que todo salió mal, hasta que, por fin, lo escucho a quien entonces era mi pareja que dice: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Entonces estoy infectado…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Y entonces lo sé. El análisis dio positivo. Se acaban de derribar todas las falsas esperanzas a las que nos habíamos aferrado desde que en el laboratorio del hospital le dijeron que tenía que hacerse un segundo análisis, sin explicarle por qué.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Desde ese momento, me doy cuenta de que todo acaba de cambiar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Me quedo esperándolo ahí, mientras el jubilado de los papelitos vuelve con la enfermera y la señora de atrás da vuelta la página de su revista. El tiempo se estira como un chicle. Miro los cuadros que están colgados en la pared, mientras sigo oyendo voces que vienen de allá adentro, pero ya no trato de entender lo que dicen.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Cuando sale del consultorio, no me dice nada. Sólo caminamos hasta la puerta y, una vez afuera, le doy un abrazo. Me pide que me vaya, que quiere estar solo. Le pido que me deje quedarme con él. Compramos una Coca Cola y nos sentamos a tomarla juntos, sin hablar. Yo le agarro la mano y le digo que no cambió nada, pero los dos sabemos que no es verdad. Me pide otra vez que lo deje y no me queda otra que irme, haciéndole prometer que me va a llamar a la noche a casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;No me llama ni esa noche ni la siguiente, ni responde mis llamados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;---&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Cuando mi amigo llega al Mc Donalds, me doy cuenta de que nada de lo que pensé me dejó siquiera un par de palabras con las que empezar la conversación.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—¿Cómo andás? —le pregunto, y me parece estúpido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Bien —me responde, y nos abrazamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Mi amigo parece haberlo tomado mejor que yo. Me dice que está bien, que está tranquilo, que sabe que hoy en día tener el virus del sida no es tan terrible como hace unos años, que conoce a muchas personas que lo tienen y llevan una vida normal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Hablamos de los avances de la medicina, de los tratamientos, del tiempo que puede permanecer asintomático, de las posibilidades de que en los próximos años se descubra una cura... Mi amigo me tranquiliza, pero ¿cómo? ¿No debía tranquilizarlo yo a él?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;---&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;La primera vez que escuché hablar del sida debía tener unos seis o siete años. Estaba en mi cuarto con mi hermano Esteban, mi hermana Soledad y mi abuela Nidia. Esteban me preguntó cómo le haría el amor a Lucerito, que era una actriz mexicana de la que yo decía estar enamorado. Yo le apoyé el pito en la cola y me moví en zigzag. No tenía una erección ni la más puta idea de lo que significaba el sexo anal. Ni siquiera sabía que las mujeres tienen vagina. Tampoco sabía qué eran los homosexuales. Éramos bastante ingenuos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Mi abuela comienza a gritar y a persignarse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—¡Ave María purísima! ¡Dios mío! ¡Dejen de hacer esa inmundicia de homosexuales que se van a contagiar la peste rosa! ¡Van a ir al infierno!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Peste rosa. Fue el primer nombre que tuvo, bañado en azufre. Me llevó algunos días averiguar qué era, y qué eran los homosexuales, aunque lo que llegué a saber no fue mucho. Pero, desde ese día, ambos conceptos estuvieron unidos en mi precaria noción del asunto como hermanos inseparables que van juntos a todos lados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Más grande ya, aprendí que no era así. Me enteré de lo que era el sida y de cómo cuidarme. También aprendí qué eran los homosexuales, y me descubrí como uno de ellos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Desde la primera vez, con hombre o con mujer, siempre usé preservativo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;---&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Me la paso todo el día tratando de hablar con él pero no me contesta el teléfono. Voy a su casa con el sobre blanco guardado en el bolsillo derecho y le toco timbre. Me abre y me saluda como si no pasara nada. Lo invito a ir al cine.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Durante el viaje de vuelta hasta su casa, nos la pasamos hablando de la película. Más tarde, cuando llegamos a la parada de mi colectivo, saco el sobre blanco y le digo que ya me dieron los resultados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Negativo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Esa palabra, ahora, nos separa. Pasamos a pertenecer a mundos diferentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Mirá, yo estuve pensando... —me dice, y ni bien lo escucho ya sé lo que estuvo pensando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Le digo que no, que no necesita decírmelo, que no voy a dejar que me proteja de esa manera, que soy grande y me sé cuidar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Pero yo no tengo derecho a arruinarte la vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—La única forma en la que me arruinarías la vida sería dejándome, porque yo te quiero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—No. No me lo perdonaría nunca. Vos podés empezar de nuevo, no quiero que te contagies. No insistas porque ya lo decidí y no voy a cambiar de opinión.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—¡Mirá los análisis! ¡Negativo! ¿Por qué no me contagié hasta ahora? ¡Porque siempre nos cuidamos y nos vamos a seguir cuidando!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—No.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Lloramos, nos abrazamos, nos damos un beso sentados en los escalones de un edificio, enfrente de la Plaza de Mayo. Yo le digo que las cosas no terminan ahí, y él me dice que no lo llame.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Yo me las arreglaré. Ya te vas a olvidar de mí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—No digas más boludeces.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Dale, andá, que es tarde y hace frío.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;---&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Terminamos yendo a comer una pizza con mi amigo. Yo quiero ir a una pizzería a la que fui hace poco y me gustó mucho, pero no la encuentro. Caminamos varias veces para un lado y para el otro de la avenida Corrientes, sin suerte. Finalmente, entramos en otro lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Después, voy a su casa y nos pasamos casi toda la noche charlando. Admiro la entereza con la que se banca todo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—¿Sabés qué es lo que me jode? —me pregunta— Que es como salir del armario otra vez. Es como llevar otro estigma más. Tener que andar explicando, estar marcado por eso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Pienso en las últimas veces que hablé con mi ex, con quien seguimos juntos por dos años después de aquella noche. Me acuerdo de las cosas que hoy le dan vueltas en su cabeza cada vez que conoce a alguien. ¿Cuándo decirlo? ¿En qué casos no decirlo? ¿Y qué va a pasar cuando lo diga?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Es verdad, es como salir del armario otra vez. Yo mismo, siendo negativo, siempre sentí el armario de mi ex pareja como propio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Me doy cuenta del profundo odio que siento contra ese virus de mierda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Salgo a la calle y me voy, caminando despacito hasta llegar a la parada del colectivo. Cuando llego a casa, me meto rápido en la cama, porque necesito dormir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Buenos Aires, febrero de 2007.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-2193209552465381526?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/2193209552465381526/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=2193209552465381526' title='4 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/2193209552465381526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/2193209552465381526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2007/04/positivo.html' title='Positivo'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-6505831195152796765</id><published>2007-01-31T02:47:00.001-03:00</published><updated>2007-12-10T23:57:40.266-03:00</updated><title type='text'>Iván</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mientras iba camino a la oficina me suena el celular. Tengo empleado nuevo, me avisan del área de personal de la Municipalidad. No lo conozco, pero acaba de ser contratado para trabajar en la dirección de Promoción Cultural, de la cual soy director. Era, porque esto pasó hace algunos años.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cuando llego a la oficina, Iván, mi nuevo empleado, me está esperando. Lo hago pasar al despacho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se sienta y, desde su primera mirada, sospecho que es gay. Muy pocas veces en la vida había conocido a alguien que me resultase tan atractivo. Le cuento cómo es el trabajo, charlamos un poco, le doy alguna tarea para hacer. Me mira siempre a los ojos. Los suyos son tan fuertes que me ponen muy nervioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Soy su jefe y soy funcionario público. No puedo decir ni hacer nada desubicado, y menos en la primera entrevista. Soy el tipo más serio del mundo, del escritorio para arriba. Tengo la erección más grande del mundo, del escritorio para abajo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lo mando a Iván a trabajar en otra dependencia que queda en la vereda de enfrente, porque me pone incómodo tenerlo tan cerca. Tengo que averiguar si es puto. Sí, es puto, pero no sé si lo tiene claro. Esa forma de mirar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desde que empieza a trabajar, Iván parece estar todo el tiempo provocándome. Pero me parece que lo hace sin querer. O sea, no es que el tipo esté caliente conmigo y quiera que pase algo... simplemente él es así. Provoca, sin darse cuenta. Mira de una forma que levanta huracanes, y es demasiado lindo como para que uno pueda esquivarle la mirada todo el tiempo. Cuando te habla, lo hace como si estuviera en un boliche preguntándote “¿Venís siempre a bailar acá?”. Pero no se da cuenta, me parece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Unos días después, me entero de que tiene novia. La novia es modelo y aparece en los catálogos de ropa interior Caro Cuore. Sin embargo, me sigue pareciendo que, o bien es puto y no lo sabe, o bien es puto y no lo quiere decir, o bien es bisexual, o bien algún morbo le genera la idea de estar con un tipo. Algo hay, pero no sé todavía bien qué es. Al poco tiempo, me doy cuenta de que otros compañeros de la oficina, heterosexuales, piensan lo mismo que yo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Una amiga mía lo conoce del barrio y me dijo que es gay —me dice uno de los chicos, sin que yo le haya preguntado nada.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Iván juega al ajedrez. Juega muy bien y a mí siempre me gustó jugar al ajedrez con personas que pueden ganarme o perder conmigo. Jugar con los que siempre te ganan es un poco frustrante y jugar con los que siempre les ganás es aburrido. Con Iván, estamos parejos. Después de terminar el trabajo, jugamos al ajedrez, casi todos los días. Y siempre esa manera de mirar, que a veces me hace perder la reina...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pasan los días y vamos entrando en confianza. Una tarde, Carolina me hace una pregunta con toda la mala intención, bien a propósito, y yo se lo agradezco para adentro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Este fin de semana podríamos ir a Amérika, que hace mucho que no vamos... ¿Tenés ganas? —y no pasa un segundo que Iván ya está mirando hacia nosotros, como queriendo escuchar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Dale, arreglemos para ir el sábado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Vos vas a Amérika? —me pregunta Iván.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Sí, a veces —le respondo, con mi mejor cara de que eso no tiene la más mínima importancia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Yo en una época iba muy seguido...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Ah, sí? Mirá vos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Carolina se hace la boluda y se va a la oficina de al lado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Lo malo que tiene Amérika —me dice Iván— es que hay barra libre, y a veces tomás de más y hacés cosas que no querías hacer...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Cuando termina de decir eso lo miro serio, como dejando en claro que voy a decir algo muy importante, y le digo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Cuando tomás de más hacés cosas que querías hacer, Iván.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Me mira sorprendido. No esperaba que le diga eso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Te parece?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No me parece, estoy seguro. Yo no le echo la culpa al alcohol por las cosas que hago. ¿Vos qué cosas hiciste que no querías hacer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Bueno, cosas... qué se yo... viste cómo es...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Bueno, todo bien. Disfrutá esas cosas y dejate de poner excusas —le digo, y me voy a la oficina de al lado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Al rato entra Iván y hace un comentario en tono de broma, diciendo algo así como que yo le estaba haciendo de psicólogo. Carolina y yo nos reímos y le contestamos algo intrascendente. Seguimos conversando en tono de joda hasta que nos vamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;En los días siguientes, el tema vuelve a aparecer, siempre indirectamente, y en todo momento parece que Iván quiere hablar en serio, pero no se anima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Una tarde, después de terminada la jornada laboral, Iván ya se había ido y yo me quedo haciendo algunas cosas en la oficina. Al rato, me siento en un sillón con lugar para tres que hay al lado de la escalera y apoyo la cabeza para atrás, para descansar un poco. En determinado momento, Iván vuelve de la calle y se sienta al lado mío. Le siento olor a alcohol y me doy cuenta de que se fue a tomar una cerveza al bar de la esquina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Nos ponemos a charlar de cosas sin mayor importancia. Mientras conversamos, Iván comienza a acercarse hasta que en un momento tengo su cara a centímetros de la mía.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Qué querés, Iván? —le pregunto, mientras tomo un poco de distancia. En otro contexto, habría intentado darle un beso, habría cerrado la puerta con llave, habría buscado forros en mi mochila, me habría bajado los pantalones y le habría bajado los suyos, y... pero no puedo dejar que la calentura me domine. Soy funcionario público, estoy en mi oficina, este pibe es mi empleado. Lo único que me falta es que, además de no querer coger, me denuncie por acoso sexual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Por qué me preguntás eso? Estamos hablando —me dice, mientras se vuelve a acercar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Porque antes de seguir quiero estar seguro de si lo que vos querés es lo que a mí me parece que querés.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Vos sos muy perceptivo —me dice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Sí? Bueno, ¿querés hablar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿De qué?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—De que sos gay y estás un poco confundido sobre eso —le digo, cansado de dar vueltas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Nada que ver, te re confundiste —me dice, alejándose— Yo no soy gay.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Estás seguro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No, no estoy seguro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;A partir de allí, la conversación se vuelve muy rara. Iván empieza a decir algo y, paso seguido, lo desmiente. Avanza y retrocede. Parece comenzar a contarme algo y, cuando le respondo o le pregunto algo, me da a entender que no lo estoy entendiendo. Sí, pero no, pero sí, pero no. Me tiene medio podrido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Le digo que pasemos a la oficina de al lado, así hablamos más tranquilos, y me dice que sí. Entramos y cierro la puerta. Le digo que se deje de dar vueltas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—El que quiso hablar de esto fuiste vos, no yo. Podés confiar en mí. Por empezar, aclaremos algo: yo soy gay. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Yo no sé. O sea, creo que no... No, yo no soy gay... Pero no sé, ¿viste? En el barrio muchas personas dicen: “Iván es gay”. No sé por qué piensan eso. Yo nada que ver... pero bueno, sí, en Amérika he hecho cosas, o sea, vos sabés.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Me imagino, pero no, no sé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Bueno, que me la chupen, y esas cosas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Pero vos qué sentís, Iván? ¿Te calientan los hombres o no?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No sé. Sí, o sea, pero no soy gay. Es algo que me pasa cuando tomo, pero no sé... Creo que no. ¿Me entendés?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;La conversación sigue por el mismo carril. Iván está entre contarme y negarme, entre asumir sus dudas y decir que yo no lo entendí. Me dice algo y después dice que lo que me dijo no fue eso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Después de una larga charla en la que nada queda claro, llegan Carolina y otra compañera y nos preguntan si queremos ir a tomar algo. Salimos y vamos a un bar, a unas cuadras de ahí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Carolina me mira con cara de “¿Y? ¿Te lo transaste? ¿Qué onda?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;En el bar, hablamos de cualquier otra cosa. Al rato nos vamos. Iván tendría que tomar el colectivo unas cuadras al sur, y yo unas cuadras al norte, pero viene caminando detrás de mí. Cuando estamos por llegar a la parada de mi colectivo, los dos callados, como si no estuviéramos caminando juntos, paro y le pregunto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Me estás siguiendo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Se ríe y no dice nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Estás esperando que te invite a salir esta noche? —me arriesgo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Bueno, dale.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Conocés Glam?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es un boliche gay. ¿Querés ir?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Sí. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Nos vemos a las dos de la mañana en la Plaza Alsina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Me dice que sí, nos saludamos con un beso de amigos y se va.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Cuando llego a casa, llamo a un amigo y le cuento más o menos lo que pasó. Mi amigo me dice que no me haga esperanzas, que el pibe es un histérico. Quedamos en encontrarnos en la Plaza a las dos menos cuarto. Si Iván aparece, me voy con él, y mi amigo también va para Glam, pero por la suya. Después nos cruzamos en el boliche. Si Iván no viene, voy a Glam con mi amigo y aprovechamos para charlar algunas cosas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;A las dos y media, Iván no vino. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;A las tres menos cuarto, Iván no vino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Vamos caminando con mi amigo hacia la parada de colectivo y, en la esquina, lo veo a Iván que viene caminando. Le digo a mi amigo que es él. Mi amigo se hace el boludo, como si fuera caminando para otro lado, y yo me encuentro con Iván.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Pensé que no venías...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Paré para tomar una cerveza por ahí —me dice, y yo calculo que fueron dos cervezas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Vamos caminando hasta la parada del colectivo y, en el quiosco, compra otra más. Me mira a los ojos y me dice:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Todavía ni llegamos a ese lugar y ya estoy re confundido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Subimos al colectivo y, en el viaje, me habla de temas de la oficina. Seguimos así hasta que llegamos al boliche.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Nos sentamos en una de las mesitas del patio. Mi silla al lado de la suya. Hablamos cara a cara, a centímetros. Yo le paso el brazo derecho detrás de los hombros y, con la mano izquierda, comienzo a acariciarle la pierna, apenas un poco más arriba de la rodilla. No me dice nada, simplemente me deja. Seguimos así unos minutos. Lo miro a los ojos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Vos estás a punto de comerme la boca, pero no lo hagas —me dice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Por qué?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Porque no quiero. O sea, sí, pero todavía no. Cuando yo esté preparado, dejá que tome la iniciativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Todo bien, Iván —le digo—. Vos me gustás mucho, creo que eso está claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Me sonríe y me dice que está todo bien, pero que no haga nada. Que deje que sea él quien empiece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Unos instantes después de decirme eso, me dice que tiene que ir al baño, que lo espere. Se va y tarda mucho en volver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Al rato, me paro y voy para el baño, intrigado. Lo veo que está conversando con una chica en la puerta y, en cuanto me ve, empieza a transar con la mina. Yo me pierdo por ahí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Al rato, se me acerca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Perdoname, no te enojes por lo que hice —me dice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Todo bien, Iván, hacé la tuya —le digo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Me quedo en el boliche hasta la madrugada, conversando con mi amigo, que estaba por ahí. Un rato después de que mi amigo se va, yo también salgo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Cuando estoy caminando por avenida Córdoba, a punto de cruzar, lo veo a Iván que viene corriendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Hola, ¿por qué te vas solo? No me esperaste —me dice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Estabas acompañado, no te iba a esperar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es que vos no me entendés, a mí me gustan las mujeres. No soy puto. Todo bien, no tengo problemas con los putos, pero yo no lo soy. Me gustan las minas. ¿Me entendés? ¡Las minas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Bueno, eso no es lo que me dijiste antes, y hoy estuvimos a punto de transar, pero todo bien. Te gustan las minas, te entiendo. ¿Qué querés que te diga, Iván? Me parece que ni vos sabés qué es lo que estás queriendo decirme.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es que estoy muy confundido, no te enojes conmigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No me enojo. Todo bien, yo ya pasé por eso. Te entiendo, pero sos medio histérico. No me molesta, pero te lo digo. Me decís una cosa y después lo contrario.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es así, loco. Me gustan las minas. Yo no puedo ser puto. ¿Vamos juntos para Avellaneda? Dale...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Esa conversación no tenía sentido, menos en su estado. Así que no le digo más nada. Viajamos juntos y, al llegar a Avellaneda, comemos una hamburguesa con una coca cola en Pancho ’95. Vamos caminando por avenida Yrigoyen hasta que llegamos a la esquina donde él tiene que doblar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Me da un abrazo bien fuerte y se va.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Unos días después, en la oficina, cuando termina su horario, me pregunta si quiero jugar al ajedrez. Le digo que sí y saco el tablero. Mientras acomodo las fichas, se va al baño. Cuando vuelve, está sin remera y con el pelo mojado. El jean está medio flojo y se ve el slip blanco que lleva puesto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0cm 0cm 6pt 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Iván, ponete la remera, no seas desubicado —le digo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0cm 0cm 6pt 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Por qué?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0cm 0cm 6pt 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Porque soy tu jefe y te estoy dando una orden.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; .&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt;&lt;i  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Buenos Aires, enero de 2007.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-6505831195152796765?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/6505831195152796765/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=6505831195152796765' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/6505831195152796765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/6505831195152796765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2007/01/ivn.html' title='Iván'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-8348449961164709163</id><published>2006-10-22T22:33:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:58:04.640-03:00</updated><title type='text'>Testigo</title><content type='html'>&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote  style="font-style: italic;font-family:georgia;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;La consigna era  escribir un relato breve que incluyera, disimuladas a lo largo del texto, las  siguientes informaciones sobre los personajes:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;» Jorge García, 43  años. Empleado de comercio. Recién divorciado. Es un gran lector de novelas  policiales. Hoy almorzó empanadas. Quiere comprarse un auto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;» Rosa Márquez, 25  años. Actriz desempleada. Trabaja como moza en un bar nocturno. Es celíaca. Su  novio la engaña, ella no se da cuenta. Su familia vive en Trenque Lauquen.  Recibe una carta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;&lt;span&gt;» Celia de  Cristóforis, 69 años. Maestra jubilada. Adicta a la televisión y al cigarrillo.  Está distanciada de su hijo hace diez años. Ve un crimen.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;La enfermedad de Rosa y la profesión de Celia no las incluí porque me pareció que quedaban muy "descolgadas" en el relato.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span class="289221901-23102006"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Hola, ¿Jorge? —dijo la voz al otro lado del teléfono, y Jorge tardó unos segundos en responder. Hacía diez años que no escuchaba a su madre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Mamá? ¿Qué pasó? —preguntó Jorge, y en un instante pensó en todas las desgracias posibles. Luego de tanto tiempo, un llamado inesperado de doña Celia no podía ser porque sí. Algo había pasado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Algo había pasado, claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es que... no te puedo explicar por teléfono... No sé... Mirá, Jorge, si te llamo es porque... ¿Podés venir a casa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Jorge terminó las empanadas de jamón y queso que había comprado en la rotisería del barrio (desde que Ana se fue, la rotisería ganó un cliente de todos los días), dejó los clasificados sobre la mesa y se tomó un taxi hasta el departamento de La Boca que no visitaba hacía tanto tiempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;La voz de su madre anunciaba algo grave. No sólo el hecho de haberlo llamado, después de tan largo y obstinado silencio. Era la voz, temblorosa, asustada. Cáncer, pensó, y la culpa por todos esos años lejos de ella lo invadió sin piedad. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Cuando llegó al cuarto piso, ella abrió la puerta antes de que él llegara a tocar el timbre. Estaba en camisón, con el cigarrillo entre los dedos. Al entrar, vio el cenicero lleno. Doña Celia se quedó ahí parada, mirándolo, queriendo articular palabras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Mamá —dijo Jorge— ¿Qué pasó? —y pensó que, quizás, hubiera sido mejor comenzar con «¿Cómo estás?», darle un abrazo. Pero eran duros, los dos. Siempre fueron así, y sobre todo desde que pasó lo que pasó con Ana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;«Algo de razón tenía la vieja», pensó Jorge.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Doña Celia encendió otro cigarrillo con la colilla del anterior, y la mano le temblaba como si tuviese Parkinson. Se sentó, tomó el control remoto de la mesa y apagó el televisor, que aturdía. Jorge agarró una silla, la acercó a la mesa y tomó asiento también.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Doña Celia, que acababa de sentarse, se paró nuevamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Querés un café? —preguntó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Jorge quería, pero estaba ansioso por saber por qué lo había llamado su madre, con esa urgencia inesperada, después de tanto tiempo sin dirigirse la palabra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—No, no... Explicame qué pasó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Ella dijo que igualmente iba a prepararse un café, insistió en hacerle uno y claro, a la vieja no se le podía decir que no a algo. Fue hacia la cocina, mientras Jorge recorría el comedor con la mirada, buscando cosas que hubieran cambiado de lugar, señales del tiempo que había pasado. El televisor era nuevo. El mantel seguía tan sucio como siempre. Los cigarrillos eran light. La biblioteca ya no alcanzaba y había libros apilados en diferentes lugares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Cómo está Ana? —preguntó su madre mirando hacia otro lado, mientras llegaba con las dos tazas, las mismas de siempre— Yo... supongo que tendría que pedirte disculpas por...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Ana se fue, mamá. Nos divorciamos... ¿Me podés contar qué pasó?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Pero...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Mamá, contame de una vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Doña Celia tomó un sorbo de café y empezó a hablar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Yo estaba viendo la televisión, el nuevo programa de las amas de casa... ¿Cómo es que se llama? Bueno, empecé a escuchar gritos y espié por la mirilla de la puerta, ¿viste? Estaban... Estaba esa chica jovencita, estaba vestida medio... parecía una prostituta. Había dos tipos, uno la agarraba tapándole la boca, para que no gritara, el otro le pegó en la nuca con la parte de atrás de un revólver...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—La culata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Sí, la culata. La metieron adentro del departamento de al lado. Después a mí me pareció escuchar un zumbido... ¿Viste cuando en las películas alguien dispara con un silenciador? Bueno, no sé. Nunca había escuchado un disparo de esos... de verdad. Pero me pareció. Después los tipos salieron del departamento y se fueron. No escuché más nada. Estoy aterrorizada, Jorge.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Pero mamá... ¿Por qué no llamaste a la policía?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Estás loco? No, no sabía qué hacer. Te llamé a vos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Vos la conocías a la chica? ¿Vive al lado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Es nueva, hace poco se mudó. Yo no tenía trato con ella. A veces la veo llegar, siempre vestida así, ¿viste?. También a veces viene un muchacho, de la misma edad... tendrá unos veintipico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Los personajes de las novelas de misterio se hacían carne frente a los ojos inquietos de Jorge. Empezó a buscar en su cabeza retazos de historias, páginas de sus libros que también se apilaban en todas partes. Pero los suyos eran todos novelas policiales. No era su género favorito, era su único género. Doña Celia leía de todo un poco, pero él siempre se había apasionado con las historias de misterio con asesinatos, estafas, crímenes pasionales, robos, policías corruptos, inspectores sagaces, jueces de toga y abogados que investigaban más de la cuenta y hablaban mucho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Un crimen de verdad. Sentía un poco de miedo, pero a la vez estaba excitado. Un rato antes revisaba las aburridas páginas de los clasificados buscando un auto que se ajustara al precio que podía pagar, que no era mucho. Ahora estaba frente a un crimen. Sí, un crimen de verdad.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;El espacio de silencio que se formó entre los dos le dio a doña Celia tiempo para acordarse otra vez de su nuera y preguntarse qué había pasado. Se había distanciado de su hijo por una vieja pelea con aquella mujer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Qué pasó con Ana?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;No. Definitivamente Jorge no quería responder esa pregunta. No quería contarle a su madre que Ana lo había engañado con otro hombre, que él lo había descubierto, que ella lo había negado, que se había ido. No quería escucharla decir «Yo te lo dije». Ella no iba a decirlo, pero él pensaba que sí. Ella ya no quería pelear más. A punto de cumplir los setenta, estaba cansada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—Hay que llamar a la policía —dijo él, que veía escurrirse la posibilidad de ser el personaje intrépido que descubre la verdad sobre el crimen, enfrentando peligros y corriendo sobre el filo de la cornisa. No; era sólo un aburrido empleado cuarentón que trabajaba ocho horas por día en un local del shopping por un salario mínimo, realmente mínimo. ¿Va a pagar con tarjeta o en efectivo? Podemos hacerlo en doce cuotas, sin interés. ¿Desea ver alguna otra cosa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Mientras Jorge discutía con su madre qué hacer, la policía ya había sido avisada por alguien más. El patrullero de la Federal llegó unos minutos después, cuando ellos aún no habían descolgado el teléfono para llamarlos. Junto con la policía, venían las cámaras de la televisión, que olían la sangre desde la calle como perros entrenados. Ellos escucharon el ruido de las sirenas y se asomaron a ver por la ventana. Del auto con batidoras luminosas bajaron dos agentes de mediana edad, uno de ellos bastante excedido de peso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Doña Celia encendió la televisión. Las noticias no tardaron en llegar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;«... La víctima sería una joven de 25 años, Rosa Márquez. Fue hallada con un disparo en la frente y la policía ya busca a los sospechosos, que serían dos personas del sexo masculino, aunque aún no habría indicios sobre los móviles del crimen...»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Jorge apagó el televisor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—La hija de puta me cagaba, tenías razón. Encima lo negó, como aquella vez... pero yo lo sabía. Lo sabía.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Doña Celia se acordó de ese día, cuando la vio en aquel bar con aquel hombre y pensó... Su hijo nunca se lo había perdonado, hasta ahora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;—¿Preparo más café?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Los policías encontraron un sobre en el suelo, con el matasellos del correo público de la ciudad de Trenque Lauquen. La carta de los padres de Rosa, que estaba tirada cerca de la puerta de entrada del departamento, llevaba las huellas de una pisada Adidas número cuarenta y dos. La guardaron para que fuera revisada por la Policía Científica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;La joven yacía contra la pared que hacía de medianera con el departamento de doña Celia. Aún estaba vestida con la blusa blanca, los corpiños rojos que se traslucían y las minifaldas de jean, que usaba para recorrer las mesas en el bar de la avenida Córdoba. No era prostituta, sólo servía tragos. Trabajaba de moza mientras esperaba tener suerte en algún casting para la televisión. Nunca había tenido sexo por dinero. Tenía un novio dos años más grande que la engañaba. Nunca llegaría a saberlo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;Mientras la televisión seguía hablando y los policías entraban y salían del departamento de Rosa Márquez, doña Celia preparó más café y fue al reencuentro con su hijo. Esta vez no discutirían. Quizás aún no fuera tarde.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.45pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-align: left;font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 6pt; text-align: right;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Buenos Aires, octubre de 2006.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-8348449961164709163?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/8348449961164709163/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=8348449961164709163' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/8348449961164709163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/8348449961164709163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/10/testigo.html' title='Testigo'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115906518369116454</id><published>2006-09-23T23:20:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:58:10.364-03:00</updated><title type='text'>Uma foto com a vovó</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nota: Éste es en portugués, ya que lo hice para la materia Lengua Portuguesa. La consigna de la profesora Ana María era escribir un relato donde nos veamos a nosotros mismos cuando éramos chicos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A vovó está sentada, descansando na poltrona. Na frente dela estou eu, com meus quatro, talvez cinco anos, o brinquedo na mão, o sorriso no rosto. É uma foto antiga, percebe-se pela cor. Uma das tantas fotos que eu tenho com a vovó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa dela sempre foi meu segundo lar e, durante um tempo, o primeiro. Um dos tantos períodos de crise que atravessou a economia nacional (e a nossa) levou a minha família a viver na casa do bairro de Crucesita, com o grande quintal e as árvores de limão, pomelo e tangerina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, fora desse ano em que a gente morou com a vovó e o tio, essa casa continuou a ser meu refúgio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nídia tinha uma personalidade especial: era uma velha insuportável, sempre atrapalhando a vida dos outros. Ao menos, isso é o que pensavam todos. Todos, exceto eu. É claro que eu também percebia seus costumes esquisitos, essa mania de se meter onde ninguém a tinha chamado: tirando os pratos da mesa quando os outros ainda não tinham terminado o jantar, entrando no quarto dos meus pais sem pedir licença, quando eles... Bom, tudo isso. Mas a vovó tinha sido educada desse jeito. Não era uma má pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre gostei muito dela, e ela de mim. Lembro-me ainda da gente indo à feira comprar, passeando pela cidade quando ela ainda podia, comprando balas, muitas balas de todas as cores. Ela sabia que eu gostava dela, mais do que os outros, e por isso tentava não brigar comigo... Mesmo assim, às vezes não se continha e fazia das suas. Mas depois a gente sempre se amigava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adolescente, houve um tempo em que a visitei pouco, menos do que costumava fazê-lo. Infelizmente, foi nesse tempo que ela morreu. Ainda me lembro dessa raiva, desse nó na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na foto, a gente é feliz. Eu e vovó brincando. Por isso gosto dessa imagem, guardada no computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, nos meus sonhos, ainda estou na casa dela me divertindo. E, ao acordar, me dá uma saudade danada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acreditava muito em Deus. Eu não acredito. Mas tomara que ele a tenha recebido no céu... embora não exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;Septiembre de 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115906518369116454?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115906518369116454/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115906518369116454' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115906518369116454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115906518369116454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/09/uma-foto-com-vov.html' title='Uma foto com a vovó'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115906423113000424</id><published>2006-09-23T23:07:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T12:07:30.667-03:00</updated><title type='text'>Eso</title><content type='html'>&lt;blockquote style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era describir algo sin nombrarlo. Lo escribí un par de días antes de la última marcha convocada por el empresario Juan Carlos Blumberg. El título, por las dudas lo aclaro, es eso que llaman "intertexto". Un pequeño homenaje al maestro Stephen King.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Se siente frío, sabe amargo y huele a hospital. Es oscuro como la oscuridad misma. Suena como un grito que se va ahogando, perdiendo todo el aire hasta no poder más, o quizás como un silencio que aturde. En esos casos, es peor. Se contagia de boca en boca, de mirada en mirada. Es puertas cerradas, cerraduras nuevas, cosas no dichas, silencio, mentira, escondidas que no son juegos, puño cerrado pero para abajo, ojos que no se animan a mirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nació hace siglos, milenios, quién sabe cuándo. Quizás esté desde que todo existe, o desde antes también, escondido, esperando a sus presas en la oscuridad. Con el tiempo, más sofisticado, se empapó en azufre y fuego, le crecieron cuernos y colmillos, se tornó amenaza, advertencia, aviso. Fue usado mil veces y lo será mil veces más.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hay mejor adversario de la libertad, y se enorgullece de ello. No hay mejor aliado del poder: ¿Qué son las armas sin él? ¿Qué la muerte? ¿Qué el pecado, el infierno, el cielo? ¿Qué la ley, qué la guerra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondido donde menos lo esperamos, espera el momento de desbaratar alegrías, de desarmar rebeldías, de traicionar ilusiones, de prohibir placeres, deseos, esperanzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando aparece, erguido e imponente, los músculos se tensan, la mirada baja, los dientes tiritan, la piel se eriza, la respiración se corta y se acelera y se corta y se acelera, y la convicción empieza a flaquear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ellos saben muy bien lo que hacen cuando lo sacan a pasear, pisoteando pañuelos, en una plaza que no les pertenece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero, pese a todo, será en vano. Seremos más fuertes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Agosto de 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115906423113000424?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115906423113000424/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115906423113000424' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115906423113000424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115906423113000424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/09/eso.html' title='Eso'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115749785693070059</id><published>2006-09-05T20:09:00.000-03:00</published><updated>2007-12-11T00:19:45.803-03:00</updated><title type='text'>Fede</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;El chico de tez morena y cabello rapado no sólo es atractivo, muy atractivo; también parece buen pibe. No sé por qué, quizás me lo dice algo de su mirada. Parece un poco tímido, medio perdido, como si no entendiera bien los códigos del lugar y tuviera miedo de meter la pata.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—¿De dónde sos? —le pregunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—De Nicaragua&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—¿Y qué hacés por acá?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Trabajo en un crucero que llegó esta mañana. Mantengo a mi familia... y hago lo que quiero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«Y hago lo que quiero», qué definición de su vida. La familia por un lado, lo que quiero por el otro. Así son las cosas. Prefiero no preguntarle más detalles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Qué bien. Conocí a un nicaragüense una vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Me acuerdo poco del «nica»; lo más nítido es una vez que se quedó mirando el plato, observando la milanesa casera, con ensalada de tomate y lechuga, y dijo que le daba pudor pensar que su mujer y sus hijos estaban comiendo arroz hervido allá tan lejos. Era la época de la guerra contra los mercenarios armados por la CIA, los «contra», y él pertenecía al Frente Sandinista de Liberación Nacional, que había derrocado a la dictadura de Somoza. Vino a la Argentina invitado, supongo, por el Partido Comunista, para hablar sobre la Revolución. Y se quedó en casa alrededor de quince días, invitado por mis viejos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Le hago un resumen de todo esto con unas unas pocas palabras, sin detalles:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Conocí a un nicaragüense una vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Ah, ¿sí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—¿Querés tomar algo? —me animo a preguntarle.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Si venías antes, todo bien, me quedaba con vos. Pero ahora me están esperando... Ya le prometí que lo acompañaba a su casa; ahí viene...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Lástima... ¿Cuándo te vas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—Mañana al mediodía; sí, es una lástima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos damos un beso, en la mejilla, y nos despedimos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Los pasillos oscuros son un lugar un tanto sórdido. Todo está sucio, la transpiración se huele, hay que tener cuidado con lo que tocás, o con los que quieren tocarte; la promiscuidad es tal que da un poco de asco. ¿Y entonces por qué estoy acá?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Camino, observo, me excito un poco viendo cómo cogen los demás y, por momentos, me siento tan patético como el lugar. Salgo. Las cabinas individuales están ocupadas, casi todas... sí, todas. Me vuelvo a preguntar por qué estoy ahí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sí, ya sé por qué estoy. Quizás por el nicaragüense, o por otro chico como él. Una noche de sexo, sacarme la calentura. ¿Es eso? No, la verdad que no es eso, aunque no deja de ser una opción: una segunda opción. Estoy acá porque quizás viene Fede.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lo conocí a Fede en ese lugar sórdido, hace casi un año. Había ido, sí, por otro chico desconocido, como el nicaragüense: una noche de sexo, sacarme la calentura. Fede estaba en el pasillo oscuro, contra la pared, otro chico lo masturbaba. Nunca había besado a alguien ahí. Sexo, sí, claro, pero nunca un beso. No esa intimidad, en ese lugar. Pero fue así. Me acerqué, sin decir nada hice que el otro chico se fuera, nos miramos a los ojos, y tuve ganas de darle un beso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fuimos a uno de los boxes individuales; hubo sexo, sí, y muy bueno. Pero fue más lo que nos besamos que lo que cogimos. Y hablamos, mucho, de todo. Hasta las cinco de la mañana charlando, como si nos conociéramos de toda la vida. No: como si de toda la vida quisiéramos conocernos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fede tenía novia. Era nuevo en esto de saber que es puto. Perdón, mejor no lo digo así porque quizás le choca un poco la palabra (y, en definitiva, ¿para qué estoy escribiendo esto si no es para él?). Bueno: que Fede se estaba dando cuenta que quizás le gustaban los tipos. También era nuevo en eso de estar en Buenos Aires. Vino de Entre Ríos para estudiar, y quizás también para escaparse de las mismas caras, los mismos lugares y la misma imposibilidad de averiguar las cosas sobre sí mismo que no podía averiguar allá. Dejó a la familia en el pueblo y ahora vive acá, con dos amigos que no saben que es puto —digo: que quizás le gustan los tipos. No lo habló con nadie. Apenas, un poco, con él mismo. Sólo se anima a ir al túnel de la calle Viamonte, donde seguro nadie que lo conozca lo va a ver. Pero nada de novio, ni amor, ni pareja. No se imagina eso. Sólo sexo, sin compromisos, sin tener que preguntarse después y ahora qué hago con esto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fede me hacía acordar al estribillo de una canción del Nano: «mírame y no me toques, pero mírame». Ella y él, porque en la canción la historia es de un chico y una chica, recorren todas las formas de mirarse, pero aprenden a citarse sin citarse, «manteniendo el riesgo del azar»; a verse sin preverse. Se rastrean y se encuentran sin haberse avisado, coinciden en la vida como si no fuera coincidencia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«&lt;i&gt;Hasta que un día el experto artista de la mirada / no tuvo bastante con palpar la niebla / quiso ser menos Polaroid y más almohada / tuvo un mal momento y rompió la regla / Y le ofreció la aventura vulgar del enredo en un cuarto de hotel / Amor no es literatura si no se puede escribir en la piel / Pero ella no llegó nunca / Mírame y no me toques pero mírame&lt;/i&gt;».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pienso en Fede y pienso en la canción. Parece una paradoja, porque a él no le disgusta el contacto de las pieles húmedas, los cuerpos enredados y los olores envueltos. Le encanta coger. No pretende que lo mire y no lo toque: parece preferir que lo toque y no lo mire. Que nos revolquemos y la pasemos bárbaro, pero sin un después, sin una consecuencia, sin tener que pensar y ahora qué hacemos con esto. «Tócame y no me mires, pero tócame». &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos volvimos a ver varias veces con Fede, siempre de casualidad. Siempre que nos encontrábamos todo era perfecto, pero nunca quedábamos en encontrarnos. Aprendimos a buscarnos con los prismáticos, como en la canción del Nano. El día de su cumpleaños me metí en un cyber a mandarle un mensaje por email, que era la única forma directa que tenía entonces de comunicarme con él. No me había dado su teléfono, ni su celular, ni su dirección. En realidad, yo no se lo había pedido, porque sabía que le iba a costar decirme que no, pero no iba a poder decirme que sí. Cuando salí del cyber, en una zona de la ciudad a la que no suelo ir nunca y donde estaba por un trámite, me lo crucé en la puerta. Nos abrazamos, le dije feliz cumpleaños y sentí que él también sentía que no podía ser casualidad. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fede dejó siempre claro que todavía no podía dar el próximo paso, pero nunca cerró la puerta. Nos podíamos seguir encontrando de casualidad, pero sin un antes ni un después. A mí no me alcanzaba con eso, pero no podía prescindir de eso, así que le seguí el juego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;El nicaragüense se va y yo me quedo con mi vaso de Gancia batido, pensando en todo esto. Sigo dando vueltas en ese túnel sórdido y veo a los viejos pajeros buscando pendejos, a los tipos que tienen las vías nasales llenas de coca, a los pendejos que pueden chuparse cinco pijas en una noche y siempre sin forro. Veo la promiscuidad de la que de alguna manera estoy siendo parte, al menos por estar ahí, dispuesto a tener sexo rápido si encuentro a alguien que valga la pena, y pienso que esa no es mi idea de la vida. No es lo que quiero. Me gusta el sexo, pero más me gusta despertarme a la mañana con la persona con la que la pasé bien a la noche.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pienso en un departamento lindo, chiquito, no muy costoso, cómodo, agradable, en alguna calle que se acerque al centro de la ciudad, con un subte cerca. Un espacio para mis cosas y las suyas, y una cama de dos plazas, donde dormir juntos, abrazados o agarrados de la mano, compartiendo nuestros sueños, despertando juntos y haciendo el amor por la mañana. Nos veo desayunando, planificando las vacaciones, discutiendo, peleándonos, amigándonos. Nos veo en el cine, o comiendo algo afuera, o en el comedor de casa, o charlando, mate de por medio, sobre el laburo, sobre la facultad, sobre la familia: la tuya, la mía, la nuestra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;¿Quién es él? No sé. ¿Podría ser Fede? Quizás, aunque creo que la imagen que tengo en mi cabeza le asustaría un poco. No sé si él podría verla en primera persona, o si sólo le parecería una historia de otros, en la que no se imaginaría siendo parte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;¿Sería tan difícil de pensar esa imagen si ésta fuera, como la canción del Nano, una historia de un chico y una chica? ¡No, no y no! Me da bronca pero es la verdad. Si ésta fuera una historia de un chico y una chica, la imagen del departamento sería no sólo nuestra, sino de mis amigos y los suyos, de mi familia y la suya, de «la comunidad organizada y sus instituciones» que nos estaría preguntando para cuándo vas a sentar cabeza, nene, que ya sos grandecito. Si ésta fuera una historia de un chico y una chica, Fede no tendría que escaparse de sus compañeros de cuarto, amigos heterosexuales, inventando una excusa para que podamos vernos en el pasillo oscuro de la calle Viamonte. No tendría que llamarme para decirme que hoy no nos podemos ver porque sus amigos lo engancharon para salir a un boliche heterosexual a buscar chicas y no sabe cómo escaparse y no puede, no se le ocurre cómo, no se siente preparado para decirles que le gustan los tipos y que tiene ganas de estar conmigo esta noche. Yo podría ir a su casa, y él venir a la mía. No tendría que decirle a los pibes que tiene que ver a &lt;i&gt;una&lt;/i&gt; compañera de la facultad cuando consigue zafar para vernos y, si me lo encuentro en el recital de la Negra Sosa, no tendría que decirle a sus amigos que soy (esta vez) &lt;i&gt;un&lt;/i&gt; compañero de la facultad, y yo no tendría que tener previsto acordarme qué carrera estudiamos para no meter la pata si eso sucede. Y podría mirar para atrás y acordarme de tantas historias que eran de chico y chico y que parecen de Montescos y Capuletos, tan clásicas, repetidas, e innecesariamente complicadas donde deberían ser sencillas. Tan sencillas como un chico que puede amar a otro chico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tiempo después de aquellos encuentros, Fede habló bastante consigo mismo. Avanzó varios casilleros en el tiempo en que no nos vimos. Todavía seguía lejos de comprometerse, pero más cerca. Me dio su celular, y hasta el teléfono de la casa donde vive con sus amigos heterosexuales. Estaba más cerca pero, a la vez, eso lo bloqueaba, y no sabía por qué.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por fin fuimos a un telo; me costó convencerlo. Fede tenía miedo de que nos viera alguien, de que pasara algo, de que le diera vergüenza, o algo así. Fue la primera vez que cogimos en una cama, con colchón, almohada y todo, y no en el cubículo incómodo y sucio del túnel, encerrados entre cuatro paredes en una superficie de un metro cuadrado con una sillita. Fue extraordinario pero, a la vez, a él le costó más que en el cubículo incómodo que usábamos antes. Algo lo frenaba, aunque al final se soltó y todo fue muy lindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Una noche en el telo, una mañana despertándonos juntos. Fue magnífico. Algo tan sencillo parece enorme. Pienso en el departamentito de mis sueños, la ventana grande por la que entra el sol, el café con leche y galletitas a la manaña. Sólo estoy dejando que la mente vuele un poco. La imagen no es de mañana, ni de pasado. No sé de cuándo es. No sé si es. Sólo sé que me gustaría que algún día fuera. Pero si Fede me escucha seguro que sale corriendo, pensando que lo voy a llevar al Registro Civil y voy a invitar a su mamá, a su papá y a sus amigos heterosexuales. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;La última vez que nos vimos fue de casualidad, como las primeras veces, en el pasillo oscuro, sin habernos buscado. Nos dimos un beso largo, muy fuerte, y me pidió que lo dejara. Me apretaba la mano y me miraba, como queriendo hablarme con los ojos. Le dije que lo quería y me pidió que no siguiera. Después me llamó para mi cumpleaños y, cada tanto, hablamos sobre cosas pequeñas. Hablar un poco más en serio le da miedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“De noche lo que camina es verdad; va donde quiere ir, no hay obligaciones, sólo deseo. Cuando ya nada calma tu dolor, el día es lo que se debe; la noche, lo que se quiere. Por eso nadie es incocente de noche”, dice Osvaldo Bazán en su última novela, “La canción de los peces que le ladran a la luna”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hace unos dos meses hablé con Fede y me dijo que está haciendo terapia. Me quedé pensando en cuán enferma está nuestra sociedad, cuyos prejuicios obligan a muchas personas a hacer terapia para aceptarse a sí mismos y poder amar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Y sigo pensando y me pregunto cuándo lo que se quiere dejará de ser, para muchos, una vida a medias que sólo puede vivirse bajo la protección de la noche.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 4.8pt; TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Julio de 2006.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115749785693070059?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115749785693070059/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115749785693070059' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115749785693070059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115749785693070059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/09/fede.html' title='Fede'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115702421803546129</id><published>2006-08-31T08:34:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:58:24.118-03:00</updated><title type='text'>Gravedades esdrújulas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;blockquote  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era crear tres textos, uno con predominio de palabras esdrújulas, otro con predominio de palabras agudas y otro con predominio de palabras graves. El texto con predominio de palabras graves está, en realidad, dividido en dos partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;¡Miren cómo nos hablan del Paraíso,&lt;br /&gt;cuando nos llueven penas como granizo!&lt;br /&gt;¡Miren el entusiasmo con la sentencia,&lt;br /&gt;sabiendo que mataban a la inocencia!&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt" align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Violeta Parra&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Gritos histéricos, argumentos hipócritas. Resulta patético escuchar lo que dicen: que defienden la vida, vociferan cínicos, como si todos los demás fuéramos estúpidos. La víctima es lo último que importa a su cháchara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tras sus sotanas malévolas esconden sus fobias, sus deseos reprimidos, sus intereses espurios, sus estrategias sórdidas, sus prédicas falsas, sus pecados ocultos desde tiempos pretéritos. Que “defienden la vida”... pederastas crónicos. Sostienen su mierda con los fondos públicos que pagan sus sueldos, iglesias y hostias. Parece una sátira, pero no causa risa. Vergüenza debería darles, pero pobre es su ética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Movilizan ejércitos de adolescentes místicos, con sus vírgenes y santos, rezando padrenuestros con mirada tétrica. Aparecen en juzgados mostrándose compungidos por los niños sin nacer: ésos son sus héroes. Nonatos les dicen. ¿Y los chicos nacidos, auténticos &lt;i&gt;sinatos&lt;/i&gt;, los anónimos, los que viven y mueren como perros, en condiciones inhóspitas, revolviendo la basura famélicos, muriendo de cólera como hace un siglo, trabajando en prostíbulos ya desde prepúberes? ¿Por qué no se ofrecen para adoptar a esos jóvenes, en vez de llorar lástima por los no nacidos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Una jueza tránsfuga, chupasirios enfermos y una sociedad acostumbrada a asistir al circo debaten el aborto como un asunto teórico. Mientras, en la práctica, las chicas se mueren. Sin acceso a los médicos, recurren desesperadas a parteras sin título, o simples curanderas que les meten cucharas o una ramita que les perfora el útero. Pero claro, son chinitas. Ellas qué importan.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Las señoras de bien, decentes católicas, llevan a sus hijas a las mejores clínicas. Ellas no son chinitas. Para ellas no hay infiernos, ni fuegos satánicos. Sólo una camilla cómoda, una intervención quirúrgica y sábanas limpias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;El caso anterior ya fue. El niño nacerá. Será un blasón que los señores de negro exhibirán. Tendrán su &lt;i&gt;sinato&lt;/i&gt; para pasearlo por ahí, será para ellos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;“Vamos a cantar que yo ya te perdoné, aunque nos quemen en la hoguera como fue una vez”, cantó León. Pero Romina también ya fue. La gente ya se olvidó. Otra chinita; presa está mejor. A casi nadie le importó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ayer y anteayer, otras fueron ya. A casi nadie le importó. Otras vendrán y a casi nadie le importarán.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;¿Cuántas más serán, mientras ellos dicen su sermón? ¿Es que son los dueños del plan de Dios? De eso viven y vivirán, por los siglos de los siglos, amén.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Escribo con bronca, y no es para menos. En la tele, un viejo tilingo de la derecha más rancia habla de la vida. Sí, de la vida. Esos señores que se embanderaron de muerte, que apoyaron dictaduras, que apañaron genocidios, que confortaban a torturadores en los campos de exterminio. Esos señores, justo ellos, dicen que defienden la vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Una chica de veinticinco años con una edad mental de cuatro espera sin saberlo que termine el circo. Ni siquiera sabe que está embarazada. Ni siquiera sabe que la violaron. “Me hicieron algo que duele”, le dijo a la madre, y no quiso ir más a la escuela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esa chica discapacitada, con daño cerebral, con medicación permanente, debe conformarse con ser un recipiente. Un simple recipiente que mantenga en la panza al famoso nonato. No importa si su medicación no se lo permite. No importa si por hacerlo se muere, o su retraso mental empeora. No importa que su embarazo sea fruto del abuso y la violencia. Violencia, como la que ahora ejercen sobre su vida y la de su familia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A los señores de negro no les importa. En el fondo, siguen pensando que las mujeres son recipientes de hijos. Cosas sin derechos. Objetos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Con cara de piedra salen por la tele ofreciendo adoptar a todos los “niños por nacer” que se hacen famosos. Sólo a los famosos, eh, no van a andar adoptando a los chicos que no salen en los diarios. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sus brazos abiertos para los fetos jamás se abrieron para los nacidos. Qué les importan ésos. Hay que entenderlos: los señores de negro están muy ocupados luchando contra el preservativo, contra la educación sexual, contra la salud pública, contra todo lo que signifique prevenir aquello a lo que dicen oponerse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Me dan asco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No puedo dejar de recordar a Eliseo. Nunca lo vi defendiendo nonatos, ni luchando contra el forro, ni injuriando a homosexuales, ni despotricando contra la memoria, ni confesando a genocidas. De hecho no confesaba a nadie, porque hay que confesarse con Dios, decía. Lo vi en su parroquia, rodeado de pobres, con Cristo y el Ché –tan parecidos–, sin tantos sermones. Él sí que adoptó a cientos de hijos pobres, todos ya nacidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Me acuerdo de Eliseo cuando volvió de Córdoba para llevar a mi vieja al velatorio de Esteban. No le importaba nuestro credo: “De los cristianos que me cuide Dios, que de los ateos me cuido solito”, decía.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eliseo murió y éramos cientos, cantando canciones de los sandinistas. Y hasta siempre, claro. “Con un ojo en el evangelio y otro ojo en el pueblo”, como decía Angelelli. El señor obispo, con cara de circunstancia, se la tuvo que bancar. Las chinitas del barrio estaban todas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Me acuerdo de Eliseo y los veo a ellos, a los señores de negro. No puedo creer que su Dios sea el mismo. Nunca lo vi a Eliseo vestido de negro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Agosto de 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115702421803546129?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115702421803546129/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115702421803546129' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115702421803546129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115702421803546129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/08/gravedades-esdrjulas.html' title='Gravedades esdrújulas'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370338730914132</id><published>2006-05-23T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:58:28.204-03:00</updated><title type='text'>Ausencia</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era escribir un texto con tema libre en tres fragmentos. El primer fragmento no podía tener verbos, el segundo no podía tener sustantivos y el tercero no podía tener adjetivos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un chico parecido a vos en el colectivo: algunas facciones, un buzo rojo con capucha hacia atrás, el mismo corte de pelo. Por una fracción de segundo, una sensación inexplicable, absurda, fugaz: vos.&lt;br /&gt;Después, su rostro más nítido, diferente, ajeno, desconocido.&lt;br /&gt;Sólo un instante. Recuerdos, olvidos, flashes, imágenes, voces, sonidos: memoria. Recortes cada vez más lejanos de un antes inalcanzable, sin retorno, confuso, incompleto. Pedazos borrados, fragmentos perdidos, lagunas.&lt;br /&gt;Una discusión vieja. Peleas absurdas, antiguas, incomprensibles. Silencio, tiempo, indiferencia.&lt;br /&gt;Una llamada, cuadras a pie, el hospital, la gente, pasillos, preguntas, palmadas en la espalda, abrazos, ansiedad, miedo, una puerta, un médico, explicaciones ininteligibles, voces, silencio, mamá en el piso. Una certeza pesada como un camión lleno de ladrillos encima de la cabeza.&lt;br /&gt;Vos con tubos enchufados en el cuerpo. Vendas y sábanas blancas. Olor a muerte. Respiración mecánica, reflejos intermitentes: pequeños indicios de vida. Restos de vos.&lt;br /&gt;Ecos insoportables de días pasados, de silencios largos, de cosas no dichas. Horas interminables, más gente, más abrazos. Lágrimas escondidas, atrapadas, caprichosas. Un cuarto lúgubre, gente, pésames iguales, repetidos, monocordes. El cajón cerrado. La foto del Che. La bandera de Racing. Tus amigos.&lt;br /&gt;Restos de nosotros esparcidos por ahí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;De repente, ya no estabas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Necesitábamos empezar de nuevo. Había que de dejar de llorar, calmarse, respirar hondo. No olvidar, pero sí dejarte un poco atrás, lentamente. Aceptarlo.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Acostarse, levantarse, bañarse, desayunar, almorzar, cenar, trabajar, estudiar, dormir, enamorarse, besar, coger, emocionarse, alegrarse, entristecerse, temer, sentir, soñar, querer, desear, caminar, correr, hablar, preguntar, responder, oir, escuchar, ver, mirar, escribir, leer, tocar, palpar, gustar, oler, pensar, recordar, olvidarse, ir, venir, salir, entrar, volver. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sin vos. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavía no conversamos. No se puede ya. A veces quiero visitarte, pero me cuesta hacerlo en ese lugar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A veces me olvido: incluso tus fotos no me afectan, ni la habitación, ni las señales de vos. Me acostumbré a las imágenes y ya no las noto. El problema es cuando me encuentro con una foto que no recordaba, de esas que no veo desde hace un tiempo: ahí no tengo defensas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A veces te sueño, pero después no puedo recordar de qué hablamos. A veces tengo ganas de contarte cosas, de preguntarte cosas, de tomar unos mates y simplemente charlar. Hubo una época en que lo hacíamos siempre, ¿te acordás? Algunas cosas nunca las dijimos, y ahora se quedaron allá atrás, sin vuelta.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;En diciembre me cuesta más. La pirotecnia de los demás multiplica el silencio de casa. Las miradas que se escapan para no cruzarse.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A veces, en esos momentos, le pregunto a tu foto qué estás pensando. Me imagino algo así como “déjense de joder, ya fue”... corregime si me equivoco. Tendrías que decírselo a la vieja... Sí, ya sé que no podés.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;En una navidad, hace un par de años, me puse a buscar una foto para actualizar el log... una boludez para los amigos, en Internet... Bueno, la cosa es que quería expresar eso que me pasaba de alguna manera. Encontré una de hace años: una fiesta en casa. Mis tres años. Torta de chocolate con crema chantilly y la velita en el medio; la abuela Raquel, la vieja con la panza, y vos, adentro, sin morirte, sin nacer.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quería salir. Irme. Terminar la noche en alguno de esos lugares donde hay música y gente divirtiéndose. Juntarme con mis amigos, emborracharme, después conocer a alguien, no importa quién. Pasar la noche en algún hotelucho de por ahí. No pensar en nada. Pero, al final, me quedé en casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;No te creas que siempre es así. Los días pasan y no me acuerdo. No es que no quiera acordarme pero, bueno, vos me entendés. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Lo que pasa es que hay días que me cruzo en el colectivo con un flaquito que se parece a vos y, por un instante, menos de un segundo, me parece... &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nos faltan un montón de palabras, y ya no las podemos decir. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Buenos Aires, mayo de 2006.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370338730914132?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370338730914132/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370338730914132' title='2 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370338730914132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370338730914132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/05/ausencia.html' title='Ausencia'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370309547326378</id><published>2006-05-10T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T11:53:30.843-03:00</updated><title type='text'>Una cosmogonía</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era escribir una cosmogonía. Para ello, primero había que elegir uno de los cuatro elementos (yo elegí el fuego) y armar un arbolito de asociaciones de palabras, que luego debíamos usar en el texto.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primero fue el fuego: las llamas, la luz, la energía, el calor, el rojo intenso. Había sido su primer capricho: hágase el fuego, dijo, y el fuego se hizo. Era un sol iluminando parte de lo oscuro, eterno e infinito que estaba lleno de nada. La luz incipiente alumbraba la nada, y al percibir que ésta era inmensa se asustó. Se sintió solo y lo atacó la ansiedad. Desesperado, tomó pedacitos de fuego y los transformó en materia; de la materia hizo mundos y pobló de ellos la nada. Pero los mundos eran silenciosos y el silencio lo abrumaba. Debía poblarlos. Entonces, eligió uno; dijo hágase la vida, y la vida se hizo: era distinta de su propia existencia, porque no quería compartir para siempre el universo con otro ser igual; así que la hizo finita. Y al crear la vida, entonces, creó la muerte. Y por ese día ya no supo qué más crear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al día siguiente del primer capricho, observó la vida que había creado y la halló quieta, solitaria, aburrida. Entonces volvió al fuego, y de sus llamas sacó la pasión y se la puso, sacó el calor y se lo puso, sacó la luz y se la puso, sacó la energía y se la puso, sacó el movimiento y se lo puso. Y quiso que la vida dejara de ser una sola, porque seguía siendo poca compañía en un universo tan grande; entonces la multiplicó y le enseñó a multiplicarse. Y creó el amor para que las nuevas criaturas se compartieran entre sí, y creó también el deseo para que se buscaran. Y con el deseo creó el sexo, que les serviría para entrar unos en otros. Y agarró un poco de fuego y le puso, y llamas y le puso, y energía y le puso, y calor y le puso. Inventó el placer y le puso también. Y así fue que el segundo día terminó y se sintió orgulloso de su obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al tercer día, decidió que la vida era su creación más perfecta y quiso que fuera reconocida. Entonces tomó a algunas criaturas y les dio conciencia de sí, y para ello creó la razón. Y al tenerla entendieron quiénes eran y se lo agradecieron. Pero también supieron que no durarían para siempre, porque entendieron la muerte. Sin quererlo, junto con la muerte había creado el miedo. Entendió que el miedo las aturdía y les permitió olvidar. Les enseñó a crear fantasías para eludirlo, a soñar, a construir nuevos mundos al interior de sí. Y como era vanidoso, pobló sus fantasías de imágenes y panegíricos de sí mismo, e inventó tantos relatos de su creación que luego no recordaba cuál le había contado a cada uno. Y para tranquilizar a las criaturas, les prometió que después de la muerte vivirían de otro modo, y que estarían siempre a su lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las fantasías les quitaron perturbación a las criaturas, y también les dieron la posibilidad de reinventarse. La vida se multiplicó. El deseo se desarrolló y creó mil y una formas de manifestarse. Las criaturas, con todas las herramientas que les había dado, comenzaron a crear herramientas nuevas. También crearon el arte y la palabra. Los símbolos y sus mundos crecieron por doquier. El producto de la creación aprendía a crear, y cada creación daba lugar a otra. El mundo que les había dado se poblaba de obras que no eran suyas, de inventos que no eran suyos, de nombres que no había imaginado, de cosas que desconocía y ni siquiera entendía, de acciones que no había previsto. Los relatos que les había contado sobre la creación comenzaban a deformarse. La geografía que había modelado con esmero comenzaba a parecerse cada vez menos a sus planes. El hogar que les había dado ya no les parecía suficiente, y creaban nuevos hogares en su superficie. La vida se refugiaba en sus propias invenciones más que en las de quien le había dado la existencia. Al finalizar el tercer día, sintió que su obra se le escapaba de las manos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando despertó en el cuarto día, del rojo habían nacido otros colores, la luz había hecho la mañana y la energía le había dado fuerzas a la vida para trabajar, moverse, multiplicarse, crear, desafiar los límites que no había siquiera terminado de imaginar el día anterior. El amor y el sexo se habían multiplicado también, y las vidas se habían asociado de múltiples formas. Los afectos que les había permitido tener habían creado solidaridades y compromisos que no eran para con él. El mundo que les había dado le parecía ajeno. Además de colores, habían creado olores, sabores, texturas y sonidos nuevos, casi hasta el infinito. No sólo eso: a cada uno de esos colores, olores, sabores, texturas y sonidos, los habían dotado de sentidos que nadie le había explicado. Las criaturas habían aprendido a comunicarse entre sí y habían creado tantas lenguas que no podía contarlas ni aprenderlas. Cuando terminó el cuarto día, estaba furioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al quinto día creó la noche para asustarlos de nuevo. Decidió que esas criaturas se habían multiplicado en exceso, y creó las enfermedades y las guerras para eliminar a parte de ellas. Para que las guerras se multiplicaran también, creó el odio. Instituyó iglesias para que los relatos que les había contado se mantuvieran bajo su control. Para asegurar ese control creó el poder y, para administrarlo, nombró reyes y sacerdotes, y les hizo jurar fidelidad. Se arrepintió de haber creado el deseo, y lo llenó de tabúes y prohibiciones. Aborreció el sexo, y les encargó a las iglesias perseguirlo. Aborreció el arte y el pensamiento, y eligió a algunas criaturas para enseñarles a censurar a las otras. Al repartir odio se contagió de él, y entonces empezó a desparramar por el mundo huracanes y tormentas, terremotos y lluvias, nieve y granizo, más enfermedades y más guerras. Terminó el quinto día extasiado de venganza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al sexto día despertó con resaca y descubrió que era algo que no había creado. Se lo habrían contagiado las criaturas. Su sitio estaba lleno de botellas vacías, otro invento de los mortales. Observó el resultado de su furia del día anterior y se horrorizó. El mundo estaba lleno de llamas y cenizas; de muerte y epidemias; de guerras y violencia; de odio, mentiras, prejuicios, hipocresía e ignorancia. Todo eso había hecho el día anterior, y ahora las criaturas lo repetían en su nombre una y otra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admitió que se había equivocado. Sintió culpa. Buscó el origen de ese sentimiento nuevo, y lo halló en uno de los tantos relatos que difundían sus iglesias: servía para asustar a las criaturas y sostener a sus reyes y sacerdotes. Quiso quitarles el poder que les había dado a todos ellos, pero comprobó que ya no le respondían: habían descubierto que podían usarlo para sí mismos. Quiso hablar con las criaturas para explicar sus actos y pedirles perdón, pero no entendió sus lenguajes. Quiso reparar sus daños, pero causó daños peores. Abatido, ese día descansó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al séptimo día llegó a la conclusión de que ya se había equivocado mucho. Y no hizo más nada. Los mortales deberían arreglárselas solos de ahí en más.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Buenos Aires, mayo de 2006.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370309547326378?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370309547326378/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370309547326378' title='1 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370309547326378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370309547326378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/05/una-cosmogona.html' title='Una cosmogonía'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370276542376186</id><published>2006-04-19T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:56:49.041-03:00</updated><title type='text'>Extraído de una declaración policial</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La profesora Podetti nos entregó la transcripción textual de una filmación realizada para un noticiero. La consigna era relatar la noticia en algún género del código escrito. Yo elegí el lenguaje policial, así que los errores gramaticales son todos a propósito.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) Invitada para que exponga en el hecho que se investiga, DECLARA: que en el día de la fecha, siendo las (…), en circunstancias en que se encontraba la dicente en compañía de su marido, su suegro, su cuñada y sus hijos, se aproxima un sujeto del sexo masculino, el cual se para frente a su cuñada y la manotea, lo que es observado por el marido de la declarante, el cual se encontraba agachado y en ese momento se para y empuja al sujeto, dándose el mismo a la fuga. Que minutos después el mencionado sujeto regresa al lugar del hecho portando un arma de fuego de calibre desconocido por la dicente, la cual exhibe en forma amenazante apuntando y repitiendo "¿Dónde está? ¿dónde está? ¿dónde está?", ante lo cual el marido de la dicente se arroja encima del sujeto, lo reduce y le quita el arma, arrojándola arriba de un techo, declarando la dicente que desconoce lo sucedido posteriormente con la misma. Que en esos momentos se hacen presente en el lugar tres móviles policiales, los cuales comienzan a apuntar al marido de la dicente con numerosas armas de grueso calibre, manifestando la dicente que se trataría de ametralladoras, y por ello la declarante lleva a sus hijos adentro de la casa, intentando calmar a los mismos, los cuales habían visto todo, agregando la dicente que uno de sus hijos se habría asustado mucho y se habría orinado encima, circunstancia que fue advertida por la declarante, luego de lo cual el personal policial procede a la aprehensión del marido de la dicente, siendo el mismo trasladado a la Comisaría Nº 50 de esta ciudad, manifestando la dicente que el sujeto anteriormente mencionado en autos sería también personal policial, circunstancia de la cual toma conocimiento la dicente con posterioridad, manifestando que en el momento de los hechos se dirige al domicilio particular de una persona del sexo masculino, de profesión magistrado, el cual habría sido cliente del marido de la dicente en un taller mecánico de automotores, dejando la declarante constancia de que no conocía la ubicación exacta del domicilio del mencionado juez, al cual logra llegar luego de la realización de averiguaciones en las inmediaciones de su propiedad, siendo que la declarante conocía el barrio habitado por el mismo, y al dar con el cual mantiene una conversación, declarando la dicente que por intervención del mencionado magistrado se habría dispuesto el día siguiente la libertad del marido de la declarante. Que esto es todo lo que tiene para manifestar. Terminado el acto y leída la presente, se ratificó y firmó. CERTIFICO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370276542376186?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370276542376186/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370276542376186' title='0 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370276542376186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370276542376186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/04/extrado-de-una-declaracin-policial.html' title='Extraído de una declaración policial'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370230779190659</id><published>2006-04-02T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:56:53.654-03:00</updated><title type='text'>Receta y referencias sobre el porteño</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era describir al porteño con el estilo de una receta de cocina.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;El porteño es una comida típica del Río de la Plata. Sus raíces pueden encontrarse en diversos platos originales de distintos países de Europa, fundamentalmente en la cocina española e italiana. Sin embargo, no son ajenas a su preparación las influencias gastronómicas de polacos, griegos, rusos, alemanes y muchos otros, y aun ciertos rastros de la cocina nativa de estas tierras, cuya cultura arrasada en épocas pretéritas se resiste a desaparecer por completo. Las variantes autóctonas de este plato vienen siendo muy bien consideradas, paradójicamente, por los turistas europeos, y la actual cotización del euro ha tenido una gran influencia en la preferencia de algunos restaurantes de moda por su elección. Quienes en cambio se identifican con la tradición española suelen inclinarse por las variantes gallega, andaluza o vasca; y es particularmente conocido el porteño a la calabresa entre quienes conservan las tradiciones italianas. En la década del noventa proliferó una versión americana&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de este plato, de preparación rápida y un tanto descuidada, con cocción en microondas a partir de ingredientes congelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero no es la historia ni la geografía, ni menos aún la antropología la ciencia que nos ocupa hoy, así que vamos a la cocina y empecemos a hablar de sabores y saberes culinarios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El porteño es un plato que se come caliente, y su preparación requiere algunas horas de cocción a fuego moderado en olla a presión. Si no tiene una, vaya ya mismo a comprarla al supermercado y aproveche la promoción para llevarse gratis una cuchara de madera, que la necesitará. Ya que estamos, compre una botella de tres cuartos de algún buen vino tinto, indispensable para acompañar este plato (y si quiere, eche media copita en la olla, que no estará de más). Otra cosa que no debe faltar en la mesa es el pan (en el caso de los restaurantes, sin embargo, algunos acostumbran cobrarlo aparte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Una vez que la preparación está en el fuego, es importante revolver cada tanto el contenido, para evitar las reiteradas crisis que podrían producir desbordes de la olla (accidente muy frecuente) y también para impedir que se queme. Un porteño quemado resulta una extraña y desagradable experiencia incluso para los paladares menos exigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El ingrediente principal del plato es la carne vacuna. La variedad de cortes depende de los gustos y costumbres de quien lo cocina, y desde estas líneas nos proponemos evitar discusiones al respecto, que podrían enemistarnos con mucha gente. Diremos solamente que por nuestra parte preferimos aquellos cortes menos nerviosos y, en lo posible, con hueso. El chorizo, en su variante argentina (los más grandes del mundo), es imprescindible, y se aconseja agregarlo no muy temprano. Algunos chef son partidarios de combinar la carne vacuna con algunos cortes de cerdo, y en los restó de Puerto Madero y Palermo Hollywood se ha comenzado a extender la costumbre de agregar carne de jabalí y patas de conejo. Por el contrario, los sectores populares han debido últimamente reemplazar por completo la carne por pollo, variante que es impulsada por las autoridades en protesta por los aumentos indiscriminados que se han producido en el precio de aquélla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graves discusiones ha causado el tema de la condimentación. Se sabe: el habitante del Río de la Plata gusta de los picantes (y de las discusiones). El ají molido, la pimienta y la nuez moscada son las especias más usadas, a las que se suele suavizar con un poco de pimentón dulce o una cucharadita de azúcar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Algunos gustan darle un toque final con una hoja de laurel&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Sobre la medida de la sal consulte con su cardiólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, es importante destacar el papel de verduras y hortalizas, cuando no también legumbres. La cebolla, la papa y el morrón no se discuten, así como el tomate en abundancia. Sobre este último ingrediente ha habido amplios debates: algunos lo prefieren natural, preparado en casa, y otros son partidarios de los purés y pulpas envasados. En algunos ámbitos esta discusión ha llegado a enfrentamientos extremos, aunque la mayor parte del público local oscila entre las posiciones más conciliadoras de unos y otros de acuerdo con la época, la moda, lo que dicen en la tele o la experiencia más inmediata, sin que se haya consolidado una tendencia mayoritaria estable. Fieles con esa costumbre, nosotros tampoco diremos nada, porque aún no hemos recibido las últimas encuestas. El uso de porotos de diverso tipo difiere según las tradiciones familiares, pero casi todos coinciden en que, de usarse, deben remojarse con anticipación o quedarán duros. Puede añadirse al porteño zapallo en cubos, aunque no todos comparten esta idea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Con respecto a la preparación, siempre es bueno consultar los secretos de la abuela, que de esto sabe más que nosotros (aunque muchos dirán saber más que ella, porque aquí todos saben de todo más que todo el resto). La nona podrá asesorarnos sobre las proporciones de cada ingrediente, el momento justo para colocar la papa y eventualmente el zapallo, y también nos indicará si la carne debe comenzar su cocción con la cebolla, la sal y el aceite o recién cuando se agrega el agua y el tomate. Algunas abuelas sostienen que debe agregarse al principio, retirarse dorada y volver a colocarse después. No nos vamos a meter en semejante lío, porque podríamos provocar graves discusiones al interior de nuestra propia familia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En fin, creemos que ha quedado claro. Quizás dirá usted, señor lector, que en demasiados momentos nos hemos escudado en nuestra imparcialidad para no tomar partido en una cantidad considerable de discusiones que hacen a aspectos fundamentales de la preparación de este plato.&lt;br /&gt;Se quejará usted, entonces, de que nos hemos abstenido de proporcionarle respuestas a esos debatidos asuntos, y ahora no sabe qué hacer con la olla que lo espera desafiante. A nuestro favor diremos que le hemos presentado las opciones y hemos hecho reserva sobre lo conflictivo de algunos asuntos, excusándonos de meternos en problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y si no queda claro lo anterior diremos, en última instancia: yo, argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Buenos Aires, abril de 2006.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Nótese que nos referimos por “americana” a una versión fast food con origen en los Estados Unidos, no por compartir dicho uso del término, sino porque es aquél el que comúnmente se usa para nombrar a la mencionada variante del plato en cuestión.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; En los últimos años se ha adoptado la costumbre de contrarrestar la agresividad del picante con un poco de queso crema o una taza pequeña de crema de leche. Esta variante está muy promocionada por una determinada marca de productos lácteos, que ha visto en el porteño una excusa perfecta para incrementar sus ventas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=31557841#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Cierta marca de caldos instantáneos recomienda también el agregado de su producto para saborizar, asunto que ha sido también muy polémico.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370230779190659?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370230779190659/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370230779190659' title='1 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370230779190659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370230779190659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/04/receta-y-referencias-sobre-el-porteo.html' title='Receta y referencias sobre el porteño'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370117126347799</id><published>2006-03-30T03:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T23:57:00.077-03:00</updated><title type='text'>Amor en portugués</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: La consigna de la profesora Podetti era escribir un relato en primera persona contando cómo fue nuestra primera relación personal con el portugués.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Às vezes, no silêncio da noite,&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;eu fico imaginando nós dois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu fico ali sonhando acordado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;juntando o antes, o agora e o depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caetano Veloso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La primera vez que me enamoré fue en portugués. Yo no hablaba ni una palabra y, sin embargo, fue en portugués.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;Nos habíamos conocido en un chat. Yo no frecuentaba los chats, y había entrado sin saber por qué. Hacer cosas que no sabía por qué hacía era muy frecuente en esa época, en la que había muchas cosas que no quería saber. Hablamos mucho, largo rato, y me pasó su teléfono, su correo electrónico, su dirección y una foto. La foto se la habían sacado en su pueblo; estaba sobre un bote de madera en el puerto. Atrás se veía el mar, enorme. Pude ver y tocar ese bote con mis propias manos, pero eso fue más de tres años después. Ese día solamente salí del chat y me olvidé, o quise. Quise olvidarme, sí, pero creo que no pude. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;Muchas veces me acerqué a esa foto, me quedé viendo la imagen: el bote, el mar. Mis deseos se subieron y navegaron enfrentando una tormenta peligrosa, fuerte, difícil de atravesar. No pude; no quise. Sí, quise; no pude. No sabía si quería o podía.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;Cuando nos vimos, después de casi un año, me pareció increíble. ¿Era o no era? Sí, no cabe dudas, era: esa imagen, durante tanto tiempo pasando por mi cabeza como una brisa fría por la espalda, de esas que se van y no sabés bien qué fue. No podía. Más de una vez empecé a discar el número, llegué hasta los cinco dígitos y corté. Después me olvidaba. Hasta los seis. Volvía a olvidarme. Una vez los marqué todos, y me atendió el contestador automático. En portugués, claro. Colgué, agarré la foto y la guardé en el armario con el resto de mis cosas; y me fui, lejos, donde la brisa fría no pudiera alcanzarme. Mi mundo no podía resistir esos vientos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;Tiempo después vino todo lo que vino. Pasó lo que tenía que pasar, más temprano que tarde. Y la imagen, el bote, el mar, el puerto, se quedaron en el armario guardaditos. Nadie les avisó, o quizás fue la inercia: el acostumbramiento, un cierto orden de las cosas que llevaba mucho tiempo funcionando y disponía que esa foto permaneciera ahí. No me había dado cuenta: la prohibición seguía vigente como esas leyes derogadas por la costumbre que nadie se acordó de borrar del digesto jurídico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;La señora fortuna me dio una mano. Esa noche había ido a ese lugar de casualidad; no lo tenía pensado. Era un sitio raro, bizarro, divertido pero un poco chocante. Ya estaba podrido de aquella música mecánica, artificial, compuesta para ser escuchada por computadoras: el cambio de ambiente me aliviaba un poco los oídos. Esos ritmos venían bien; me estaba divirtiendo, pero aun así no terminaba de adaptarme a un sitio que me trataba como sapo de otro pozo. La casualidad –o no– me había llevado hasta allí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;Había ya dejado atrás la idea de que esa noche pudiera sorprenderme, cuando la imagen se me apareció de cuerpo presente, y me acordé del bote, el mar, el puerto. No era posible, pero sí: es, no cabe duda. ¿Le hablo o no le hablo? Ya pasó casi un año y nunca llegamos a vernos ¿se acordará? No, qué se va a acordar... fueron dos horas en un chat, un día cualquiera, y ahí quedó todo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;No pierdo nada intentando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Hola —dije con una timidez que ya había olvidado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—No sé si te acordarás pero... —y le expliqué: le hablé del bote, del chat, de ese día cualquiera, de lo que no podía, de lo que ahora puedo. Por alguna razón nos habíamos vuelto a ver. No: nos habíamos visto por primera vez en persona. Ahora tendríamos que averiguar por qué, para que la historia tuviese sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Dudó un instante. Empezó a decirme que se tenía que ir, que un gusto, nos vemos un día de estos, chau chau, y de repente se quedó como con una duda y me dijo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—Vení, vamos a tomar algo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Y yo, que ya estaba preparándome para el golpe, recuperé el aliento a la velocidad de la luz y fuimos, y tomamos algo, y hablamos, y nos conocimos otra vez, y me dijo que nunca había hablado de esa forma, tanto tiempo, con un desconocido por un chat, y por qué no me llamaste...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;El boliche cerró y nos fuimos caminando. Era la primera vuelta de las elecciones presidenciales en Brasil; el consulado abría a las ocho y fuimos juntos. Votó por el candidato que yo quería y llegamos a la parada del colectivo. Hoy el camino termina acá, pero llamame. &lt;i&gt;Me liga, hein?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Unos días después nos volvimos a ver. Había tenido sexo muchas veces en mi vida: ya había llegado al punto en el que no tenés idea de cuántas. Parece una tontería, pero unos años antes, llevaba la cuenta, ¿lo harán todos al principio? Pero esa noche hice el amor por primera vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Y cuando estábamos en la cama me cantó una canción de Caetano que todavía me eriza un poco la piel cuando la escucho, y lo hicimos varias veces más, en varias partes de la casa, y cuando le dije que era la cosa más linda que había visto en mi vida me dijo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;—&lt;i&gt;Quem, você?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Y me enamoré en portugués, por primera vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Lo que vino después no es parte de esta historia, pero diré que tuvo momentos muy lindos y otros muy tristes. Momentos que nunca olvidaré y otros que prefiero no recordar. Después del amor y el desamor, nos quedó una amistad que hasta el día de hoy sigue siendo muy fuerte. Y empecé a escuchar más canciones de Caetano, y de otros. Y un tiempo después fuimos juntos a su pueblo, ya como amigos, y pude tocar ese bote con mis manos, y estaba igual que en la foto: el mar, el puerto, nosotros bajo el sol de ese hermoso país, tomando coco helado y caminando con los pies descalzos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Volvimos a Buenos Aires y, poco tiempo después, empecé a estudiar portugués. Ahora sé que jamás podría explicar en español &lt;i&gt;quanta saudade tenho desses dias&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; TEXT-ALIGN: leftfont-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; TEXT-ALIGN: right" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Buenos Aires, marzo de 2006.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370117126347799?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370117126347799/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370117126347799' title='13 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370117126347799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370117126347799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2006/03/amor-en-portugus.html' title='Amor en portugués'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31557841.post-115370373537290189</id><published>2005-05-20T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T11:33:44.764-03:00</updated><title type='text'>Fiesta en la reserva</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: Este relato lo escribí en 2005, en la época de los boliches cerrados post Cromañón. Es algo así como un relato erótico, pero todo lo que cuenta es verdad.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enero sin mucha plata, Buenos Aires con todas las discos cerradas, la noche desierta. Ganas de salir, un amigo al otro lado de la línea, ¿a dónde mierda vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hago algunas llamadas, hasta que otro amigo me dice que vaya a la fiesta de la &lt;span style="font-size:85%;"&gt;CHA&lt;/span&gt; en la Reserva, frente al monumento a Lola Mora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando llegamos con mi amigo, la fiesta recién empezaba: un escenario, un buen sistema de sonido, la bandera del arcoiris y los dj’s de la disco &lt;em&gt;Amérika&lt;/em&gt; pasando música electrónica al aire libre. No éramos muchos, pero sí los suficientes para pasarla bien… aunque empecé a notar que la mayoría eran heterosexuales —incluyendo muchas mujeres— que pasaban por ahí, escucharon música y se acercaron. Todos estábamos buscando un lugar donde divertirnos. Era al aire libre, era gratis. Y la mayoría de los pakis ni se habían dado cuenta de que era una fiesta de putos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—¿Me convidás un poco?— me pregunta uno de los pakis cuando me ve volver del quiosco con una cerveza de litro en la mano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era un pibe de unos veinte a veintidós años, pelo bien cortito, morocho. No era un Adonis, pero me resultaba atractivo. No llegué a preguntárselo, pero parecía que fuese un chico que vivía en la calle, o bien de un barrio muy marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le convidé la cerveza y se quedó conmigo. Desde ese momento no se despegaba de mí, o más bien dicho de la botella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaba claro que el chico no se había dado cuenta que estaba en una fiesta gay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Mirá esas dos minas, están solas, vamos a encarar —me dijo de repente, señalando a dos chicas que pasaban caminando delante nuestro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No, andá vos, todo bien —le contesté. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—¡Dale! Dejate de joder, vení conmigo que ganamos los dos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No, no me interesa, andá vos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y fue, sin entender demasiado. Y volvió, como había ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos tomando cerveza y, cuando se terminó, me acompañó a comprar otra botella. Y luego otra más (éramos tres socializando la bebida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La escena con las chicas pasó unas dos o tres veces más. Cada vez que andaban por ahí dos minitas, el pibe me podía que lo acompañe a encarar y yo, divertido, lo rechazaba. Hasta que la última vez, ya medio cansado de decir que no, le digo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—¿Vos no te diste cuenta de que ésta es una fiesta gay? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—… &lt;/p&gt;&lt;p&gt;El pibe se quedó mirándome, como sin entender de lo que le estaba hablando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Que es una fiesta de putos, y que a mí me gustan los hombres —le explico lo más claramente que me sale, cagándome de risa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—O sea que vos sos… &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Puto. ¡Felicitaciones! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Naaaaa… me estás jodiendo —y de verdad el pibe pensaba que era una broma. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No, fiera, no te estoy jodiendo, leé lo que dice esa bandera, allá, en el escenario: «comunidad homosexual argentina». ¿No la habías visto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quedó helado, mirándome, y parecía que estaba hurgando en su cabeza para encontrar lo que tenía que hacer ahora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Bueno, todo bien… o sea, todo bien —me dijo finalmente—. ¿Me convidás más cerveza? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Sí, claro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Y seguimos tomando hasta que la botella se volvió a terminar, y ahí sí que los dos estábamos… alegres. Por no decir medio en pedo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Dale, comprate otra birra— me pidió. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No, pará —le dije— esto es un abuso, che, yo sigo comprando cerveza y vos ¿qué aportas? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Bueno, te puedo dar un peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(y ni lo pensé, fue un reflejo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—¿Un beso dijiste?— le pregunté al oído, casi mojándole la oreja. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Naaaa… &lt;em&gt;un&lt;/em&gt; &lt;em&gt;peso&lt;/em&gt; dije. No te confundas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No, no me convence. Vos estás abusando de mi generosidad —le dije para provocarlo, aunque la cerveza la iba a comprar igual, porque yo también quería seguir tomando. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—‘Ta bien… ¿Y si te doy un beso? —me preguntó de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sí, me sorprendió. Podría haber jurado que eso no podía pasar. Era el chico más paki al que le había tirado los perros alguna vez. No lo dudé y le dí un beso en la boca, unos segundos más largo que un pico, pero no más que eso, y lo miré a ver cómo reaccionaba. Cuando iba a seguir (porque cuando hablamos de «un beso» estaba claro que estábamos hablando de más de lo que acababa de pasar ¿no?), me miró y me dijo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Pará, acá no que me da vergüenza, vamos allá atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y fuimos, claro, hasta donde están las estructuras de la feria que funciona de día, donde no podía vernos nadie. Cuando llegamos, algo adentro de mí pisó el freno y tuve que preguntarle:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—¿Vos estás haciendo esto por la cerveza? Porque, si es sólo por la cerveza pero no te gusta, dejate de joder y vamos a comprar la cerveza directamente, no hace falta que me des ningún beso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—No —me dijo— O sea, digo… yo… ¡A mí me gustan las mujeres, eh! Pero… nada, o sea, ahora que ya estamos acá… quería ver qué onda. Todo bien. Dale, hagámoslo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y bueno, si él quería…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quería, sí. Estaba claro. Uno no mete la lengua y no juega así en la boca si no quiere. Y eso que se empezaba a hacer más grande ahí abajo, tampoco se hace grande si no te gusta. Y no te late el corazón así, ni te agitás… digo ¡que el pibe se había calentado mucho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo metí las manos bajo su remera y subí suavemente hasta las tetillas. Empecé a jugar mientras le metía la lengua bien adentro de la boca y el pibe parecía que iba a explotar. Pasé las manos para atrás y bajé, metiendo ambas bajo los calzoncillos y agarrándolo del culo. No se quejó para nada. Me abrazó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente paró. Me miró. Se quedó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—No puede ser, loco… esto no puede ser —me dijo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—¿Qué es lo que no puede ser? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Que a mí me gustan las minas… o sea, loco, nunca me pasó esto. Yo no soy puto, ¿sabés?. Nada que ver. Nunca estuve con un tipo… &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Ya veo… jajaja… pero, ¿te está gustando? —y sí, cómo no le iba a preguntar eso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Sí, loco, me está &lt;em&gt;re&lt;/em&gt; gustando, vos me gustás… ¡Vos me gustás, loco!. No puede ser…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En ese momento le bajé el cierre del pantalón, mirándolo a los ojos, y mientras con una mano le empezaba a acariciar la pija, primero por encima del calzoncillo, luego por adentro, hasta empezar a masturbarlo, con la otra mano me bajaba el cierre yo, y la sacaba también.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarré la mano del pibe y la llevé al encuentro con mi pija. Él primero la sacó bruscamente cuando hizo contacto, como si hubiera tocado un cable con electricidad, pero en menos de dos segundos volvió solito y me empezó a hacer la paja, mientras volvía a besarme y nos enredábamos otra vez, lengua con lengua. El pibe estaba muy caliente y me besaba como si fuera la última vez en la vida. El miedo que parecía tenerle a mi pija al principio, a juzgar por cómo trabajaba su mano derecha, ya se le había ido, y estaba como pancho por su casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—¿Me la querés chupar? —le pregunté, pensando que me iba a decir que no, que lo estaba llevando más allá de su límite. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Pero nunca lo hice… no sé… ¿vos querés?... bueno, sí, dale… —y bajó, y primero apenas chupó la puntita y después se la metió toda en la boca. Estaba claro que nunca lo había hecho, pero también se notó que le estaba gustando. Yo lo agarré de la nuca y lo empecé a mover y cada vez se apasionaba más, tragándosela toda. Cuando estaba por acabar se la saqué y me detuve. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—¿Vamos mejor a un telo… así podemos hacer muchas más cosas? —le dije y, ya totalmente confiado, agregué, hablándole al oído: —vamos que te voy a coger y vas a ver cómo te va a gustar eso también. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Bueno, no sé… sí, quiero, pero ahora no… vamos primero allá con los chicos, no quiero que se den cuenta… después nos vamos juntos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me empezó a mirar a la cara, callado, y finalmente dijo:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;— No lo puedo creer. No puedo creer lo que estoy haciendo, y que me esté gustando, loco, esto no puede ser, no puede ser… &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Si te gusta y la pasás bien, no pienses de más. Disfrutalo —le dije. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos fuimos con los chicos, seguimos bailando cada uno por la suya y nos perdimos de vista, hasta que yo pensé que se había ido. Se habría asustado. Así que llamé a mi amigo y nos fuimos de la fiesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando estábamos llegando a la esquina veo que el pibe se acerca corriendo, me abraza de atrás y me dice:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Pensaste que iba a arrugar… ¿viste? No confiás en mí. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Yo sabía que ibas a correr atrás mío —le mentí, haciéndome el vivo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;—Vamos al telo, dale. No sé por qué lo estoy haciendo, pero quiero hacerlo. Vamos a coger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos caminando juntos a paso lento hasta la esquina, y de repente salió corriendo. Así, de golpe. Nosotros seguimos caminando con mi amigo, que me aconsejó que lo deje, que el pibe no sabía lo que quería. Llegamos a la otra esquina y lo ví sentado en la vereda, con la cabeza contra las rodillas y llorando como un chico. Me acerqué para decirle que estaba todo bien, que no teníamos que ir al telo pero podíamos tomar un café o ir caminando por ahí y conversando. Pero se paró y salió corriendo de nuevo, más fuerte, más lejos, hasta que se perdió por allá, inalcanzable.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca más lo volví a ver. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A veces me pregunto qué será de él, y me gustaría volver a encontrarlo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me quedé con ganas de saber cómo podría haber terminado esa noche. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31557841-115370373537290189?l=cosas-que-escribo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/feeds/115370373537290189/comments/default' title='Comentarios de la entrada'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31557841&amp;postID=115370373537290189' title='1 Comentarios'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370373537290189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31557841/posts/default/115370373537290189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cosas-que-escribo.blogspot.com/2005/05/fiesta-en-la-reserva.html' title='Fiesta en la reserva'/><author><name>Bruno Bimbi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057035126646139907</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_MGQLeS7zhms/SE_9CMuZM-I/AAAAAAAAAqA/tJ9PN2xr1b0/S220/cara3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
